04 de abril de 2026

Jovem se escondeu em Franca antes de morrer


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Itaberli Lozano acabou sendo morto. Mãe confessou crime, mas depois mudou versão

Uma advogada membro da Comissão da Diversidade Sexual OAB – SP diz ter provas de que o jovem Itaberli Lozano foi assassinado por ser homossexual assumido.

De acordo com Carolina Aram, vizinhos e amigos a procuraram e comunicaram que a vítima era agredida há anos em Cravinhos, próximo a Ribeirão Preto, devido ao fato de ser homossexual. Itaberli foi morto no final de dezembro de 2016 e o corpo foi levado a um canavial e carbonizado. Depois que o mesmo foi encontrado, a mãe do rapaz apresentou duas versões. Na primeira, Tatiana Lozano Pereira afirmou ter matado o filho e que ela e o marido, padrasto do rapaz, levaram o corpo ao canavial e atearam fogo. Na segunda versão, ela disse que ouviu o filho pedir socorro e que um grupo de jovens teria atacado Itaberli.

Tatiana, o marido e outros dois jovens estão presos, suspeitos de participarem de uma emboscada para matar Itaberli. Uma adolescente foi detida. Segundo a polícia, pouco antes do crime, os dois jovens e a adolescente foram vistos entrando na casa de Tatiana.


A postagem do rapaz na rede social 

Aram, integrante da ONG Asgattas, instituição que representa o movimento LGBT, contou ter recebido denúncias por e-mail, telefone e internet. “Fomos direto a Cravinhos e o delegado nos recebeu e nos posicionou tudo que estava acontecendo no inquérito policial, que ainda não foi encerrado. Logo em seguida nós nos dirigimos ao Fórum e fomos conversar com o promotor, que também nos posicionou como estava o caso, nos mostrou as provas e discutimos a situação como a gente via e o que poderíamos colaborar”, contou ela ao site G1.

“O promotor conversou com a gente e disse que o conhecimento dele é de que foi motivado esse homicídio por homofobia. É um homicídio qualificado, hediondo e a motivação dele foi homofóbica”, continuou Aram. “O conteúdo dos áudios [das denúncias que recebeu] mostra que o Itaberli sofria agressão homofóbica já há alguns anos desde que assumiu sua identidade e começou a andar pela cidade assumindo sua identidade de gênero, assumindo sua homossexualidade e começou a ser agredido. Então, os vizinhos, os amigos, nos procuraram dizendo sim, que esse crime, esse homicídio horroroso, foi motivado pelo preconceito dele ser gay”, declarou a advogada.

Antes de morrer, o jovem fez postagens no Facebook dizendo que era ameaçado pela mãe. Em outra, Itaberli afirmou que estava fora de Cravinhos para se proteger. Ele afirmou na pública que estava em Franca na casa de amigos. “No momento eu estou em Franca, aonde ficarei, pois ela deu orden (sic) a todos os meninos para que quando me verem me...”, o restante da publicação não foi divulgado.