09 de julho de 2026

Inflação de 2016 fica dentro da meta do governo


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O ano de 2016 chegou ao fim com a inflação brasileira em queda e dentro dos limites fixados pelo governo, cenário considerado improvável por muitos economistas em meados do ano passado.

O IPCA, índice oficial de preços do país, teve alta de 6,29% no ano, informou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta quarta-feira (11). Em dezembro, o índice avançou 0,30%.

Foi a primeira vez desde 2014 que a inflação ficou dentro da meta estabelecida pelo governo, que é de 4,5% ao ano, com tolerância até 6,5%.

A redução do consumo de bens e serviços no país em decorrência da recessão econômica fez ceder a inflação, que atingiu 10,67% em 2015, maior patamar em uma década.

O presidente Michel Temer, que exerce o cargo desde o afastamento da ex-presidente Dilma Rousseff, em maio, comemorou o resultado ao discursar numa reunião no Palácio do Planalto. "Ninguém esperava que ao final do ano se chegasse abaixo da meta estabelecida", afirmou.

O avanço do desemprego e a perda de renda dos trabalhadores fez ceder pressões que alimentaram a alta dos preços durante o ano. Segundo analistas ouvidos pela reportagem, a tendência é que a inflação continue em trajetória de queda nos próximos meses. O Banco Central prevê que o centro da meta, de 4,5%, será alcançado até o fim do ano.

A partir deste ano, o intervalo de tolerância da meta de inflação cai para 1,5 ponto percentual. Ou seja, o teto da meta será de 6% neste ano.

O desemprego deve continuar em alta até o fim do primeiro semestre. A perda de renda reduz o consumo de bens e, principalmente, serviços. Segundo o IPCA, os preços dos serviços, que subiram 8,09% em 2015, avançaram 6,50% no ano passado.

Além da piora da atividade econômica, a queda dos preços da energia elétrica e uma melhora nas safras de alimentos, que antes foram vilões da inflação, contribuíram para melhorar o cenário.

ALIMENTOS

Em 2015, a inflação bateu recorde por causa do aumento de preços controlados como o da energia elétrica, que o governo tentou segurar em 2014 e dispararam no ano seguinte. Em 2016, a inflação subiu principalmente por causa dos alimentos, cujos preços refletiram problemas nas safras de vários produtos.

Chuvas em abundância no Sul e secas no Nordeste fizeram disparar preços de alimentos importantes na cesta de compras do brasileiro. A desaceleração na segunda metade do ano abriu espaço para o BC diminuir os juros.

"Os fundamentos da melhora da inflação, o desemprego e a queda da renda do trabalhador, vão continuar neste ano", afirmou o economista do Modal, Daniel Silva.

"Há uma capacidade ociosa muito grande na produção brasileira, além de um desemprego que será mantido em alta", acrescentou. "Ou seja, mesmo que haja um aumento do consumo, os vários setores ainda tem um caminho a percorrer antes de haver pressão nos preços."