Acompanho a carreira literária de Vanessa Maranha desde o início. Já nos seus primeiros contos publicados me chamava a atenção um natural talento para o monólogo interior, técnica narrativo/linguística que tanto exige ao escritor. Pede percepção sobre os movimentos sutis da alma. Pede sensibilidade para o encontro das palavras perfeitas que desvelem a intricada teia das emoções humanas. Pede também muita lucidez, pois incontáveis vezes o olhar humano se confunde: na vida real, como em Róvia, espaço fictício onde um escritor vai parar sem saber exatamente por que, “as visões podem ser miragens, nem tudo o que parece é, nem tudo o que se vê se traduz ao pé da letra”. Este relato com características de novela , intitulado cidade gótica, foi construído de forma sofisticada para descortinar com tocante delicadeza os limites tênues entre “a pessoa com o discurso a ungi-la”. É ele que fecha pássara.