07 de julho de 2026

Pássara


| Tempo de leitura: 7 min

Acompanho a carreira literária de Vanessa Maranha desde o  início. Já nos seus primeiros contos  publicados me chamava a atenção um natural  talento para o monólogo interior, técnica narrativo/linguística que tanto exige ao escritor. Pede  percepção sobre os movimentos sutis da alma. Pede sensibilidade  para  o encontro das palavras perfeitas que desvelem  a intricada teia das emoções humanas. Pede também muita lucidez, pois incontáveis vezes  o olhar humano se confunde:  na vida real,  como em Róvia,  espaço fictício  onde um escritor vai parar sem saber exatamente por que,  “as visões podem ser miragens, nem tudo  o que parece é, nem tudo o que se vê se traduz ao pé da letra”. Este relato com características de novela , intitulado  cidade gótica, foi construído de forma sofisticada para  descortinar com  tocante delicadeza os limites tênues entre “a pessoa com o discurso a ungi-la”. É ele que  fecha  pássara.