Foram desligados 24 estudantes de Medicina da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). O motivo foi a denúncia de que eles tenham fraudado o sistema de cotas raciais.
Os alunos cursaram entre o 1º e 6º semestre e foram informados na quinta-feira, 29, a respeito do desligamento. As matrículas destes estudantes foram canceladas e as vagas poderão ser ocupadas por alunos transferidos de outras universidades.
De acordo com o site Zero Hora, a denúncia que questionou a veracidade da autodeclaração de raça dos então cotistas foi protocolada pelo Setorial de Negros e Negras da UFPel junto à reitoria da universidade há quatro meses. Uma comissão foi criada na ocasião para avaliar as 31 declarações denunciadas e as comparar com características fenotípicas de cada um dos alunos. Na comissão formada por 12 pessoas, entre professores da universidade e vinculados ao Movimento Negro, indeferiu 24 das declarações.
"O desligamento desses alunos é o fim do processo administrativo que foi aberto dentro da universidade. Em paralelo, corre um inquérito no Ministério Público Federal, que poderá gerar outras punições", comenta Mauro Del Pino, reitor da UFPel. Um edital será aberto no começo de 2017 para estudantes que estejam entre o 2º e o 7º semestres de Medicina em outras universidades, mas desejam ser transferidos para a UFPel.
O reitor acrescenta que também surgiram denúncias envolvendo estudantes de outros cursos da universidade, que também teriam fraudado o sistema de cotas. Del Pino diz que a instituição vai investir em um grupo de trabalho para avaliar as autodeclarações de estudantes e de servidores, técnicos e docentes que ingressaram pelas cotas raciais na UFPel do primeiro semestre de 2013 ao primeiro semestre de 2016, no caso dos acadêmicos, e do segundo de 2014 ao primeiro de 2016, para os servidores.
O Setorial de Negros e Negras considera o desligamento dos estudantes que fraudaram o sistema de cotas uma "vitória aos que lutaram pela instauração das cotas nas universidades brasileiras". "Muitos negros e negras não acessaram o curso de Medicina devido a estes alunos desligados. Para alguns, foi a única oportunidade na vida de conseguirem uma acensão social, que acabou sendo ceifada por pessoas racistas, que são contra as cotas e mesmo assim vão lá e ocupam uma vaga que não lhes é de direito", destaca o grupo.