Na minha última semana trabalhando nos bares de Franca, atendi uma mesa com três pessoas: um coroa com um relógio enorme, camisa social aberta até o peito onde uma corrente com o símbolo yin yang ficava evidente. Fazia questão de demonstrar as duas garrafas de bebida de alto custo no meio da mesa, o senhor que molhava o bigode toda vez que insistia em levar o copo até a boca, parecia ter vindo de um filme junto das duas mulheres que o acompanhava nos goles de álcool. As duas tinham aproximadamente cinquenta anos cada, eram semelhantes no modo de vestir: usavam salto alto, tinham unhas vermelhas enormes, cabelo alisado e platinado, vestidos curtos e grudados no corpo como se houvesse uma mistura por baixo do pano que cumpria o papel de deixar o tecido colado à pele. Naquela noite eu me senti verdadeiramente num filme de ação que vemos facilmente nas madrugadas sem sono quando ligamos na rede globo.