Golpes de bengala e um empurrão mataram a desempregada Amarinilza Maria Custódio, 46, na tarde de segunda-feira, em uma casa do City Petrópolis. Seu assassino é o próprio companheiro, o açougueiro aposentado Bernardino José Ribeiro, 65. Ele foi preso e poderá responder também pelo crime de estupro, já que confessou ter mantido relações sexuais com a vítima já ferida e depois de morta.
O homicídio aconteceu após uma discussão entre o casal. Inicialmente, o idoso afirmou que saiu para beber em um bar das imediações e, por volta de 15 horas, chegou no imóvel onde vivia com Amarinilza. Segundo sua versão, ela estava caída perto da cama e ele chamou uma vizinha, que acionou a Polícia Militar. “Eu não sei o que aconteceu. Imagina se eu ia fazer alguma coisa com ela. Amo demais essa mulher”, disse, em meio às lágrimas.
Seu relato não convenceu os policiais, que encontraram sangue espalhado pela casa. A rigidez do corpo, um profundo ferimento no crânio, o relato do dono do bar de que Bernardino só esteve lá de manhã, e o horário da comunicação do encontro do cadáver, por volta de 19 horas, foram outros indícios que levaram os peritos a desconfiarem do aposentado. Com o depoimento de uma vizinha sobre as agressões que Amarinilza sofria frequentemente, a situação de Bernardino se complicou. Aos policiais, a testemunha disse que o casal era alcoólatra e que brigavam muito. Contou, ainda, que Amarinilza reclamava de ser espancada pelo aposentado com a bengala que ela usava e de ser obrigada a manter relações sexuais com o companheiro.
Confissão
Diante desses indícios, Bernardino foi questionado mais uma vez e confessou o crime. Disse que discutiram e ele empurrou a vítima, que bateu a boca em um botijão de gás. Com a bengala dela em mãos, o idoso desferiu golpes e, aproveitando que estava caída, manteve relações sexuais com ela.
Segundo sua versão, o aposentado segurou a mulher pelos braços e a arrastou para a sala. Ele ainda tentou colocá-la na cama de casal, mas não conseguiu. Disse ainda que novamente a agrediu com a bengala, momento em que vítima morreu e em que ele violou seu corpo mais uma vez. Pouco depois, Bernardino limpou partes da casa e as próprias roupas para tentar se livrar do assassinato. Em vão. Ele foi preso por homicídio qualificado e violência doméstica, e ainda pode responder por estupro. Ainda na madrugada de ontem, o idoso foi recolhido à Cadeia Pública do Jardim Guanabara.
O corpo de Amarinilza foi removido ao IML (Instituto Médico Legal) e necropsiado. Um laudo acerca de sua morte e suposto abuso será expedido em 30 dias. Ela está sendo velada no Leporace e hoje, às 10 horas, será sepultada no Cemitério Santo Agostinho.
A relação
O genro da vítima, Igor Marques, divulgou trechos de um diário cuja autoria foi conferida à Amarinilza. Foram sete meses de relação descritos no caderno. Amarinilza escrevia declarações para Bernardino e lamentava os problemas que os dois cultivavam, possivelmente ligados aos ciúmes e à bebida alcoólica. Uma das passagens que ele revelou à rádio Difusora diz o seguinte: “O amor não é ciumento, não é orgulhoso, não mente, não é agressivo, só se entrega e aceita o outro como ele é. Bernardino, amor que eu conheci por acaso, mas aprendi a amar cada vez mais”.
Colaborou Cássio Freires, da rádio Difusora AM