O ex-titular da delegacia de Jardinópolis, São Paulo, Renato Savério, foi condenado a 11 anos e 8 meses de prisão por vender cigarros contrabandeados do Paraguai.
Em agosto deste ano, o delegado foi exonerado e desde março de 2015 Savério estava no presídio da Polícia Civil em São Paulo. Silvio Perissê, escrivão de polícia acusado de atuar com o delegado, falsificando documentos públicos e fraudando processos, foi condenado a 10 anos de prisão. O escrivão chegou a ser preso, mas devido a um habeas corpus respondia em liberdade.
Júlio Mossin, delegado de Savério, afirma que vai recorrer da decisão. Ele foi procurado pelo site G1, mas não foi localizado para comentar o caso. Há ainda um terceiro suspeito que seria o receptador das cargas. Ele foi condenado a 7 anos e 6 meses de reclusão, mas segue foragido.
De acordo com o Ministério Público, o delegado agiu da mesma forma em pelo menos duas apreensões de cargas contrabandeadas de cigarros. Na primeira, em julho de 2014, 5.345 pacotes do produto, provenientes do Paraguai, foram desviados por Savério, que deveria incinerar a carga.
Savério e Perissê receberam a autorização para destruir a mercadoria contrabandeada, mas venderam os cigarros ao invés de incinerá-los. A dupla teria falsificado um documento, anexado ao inquérito, atestando que o produto foi destruído. As assinaturas e dados de testemunhas que constam no documento também são falsificados.
Em dezembro de 2014, o delegado e o escrivão repetiram a ação criminosa, ao apreender 22.2150 pacotes de cigarros. Savério teria recebido R$ 200 mil pela venda do produto, destinando R$ 30 mil a Perissê.
Quando foi preso em março de 2015, o delegado teria confessado o crime. Foi descoberto ainda que Savério aplicou um golpe em uma seguradora de veículos. Ele escondeu a caminhonete que possuía e alegou que o veículo havia sido roubado. A caminhonete foi encontrada em posse do delegado tempos depois, com as placas fraudadas. Savério teria recebido da seguradora R$ 150 mil de indenização pelo falso roubo. Ele responde ainda por um processo de estelionato, em decorrência do golpe aplicado contra a seguradora.