Aparecida Rodrigues de Freitas nasceu na Fazenda dos Nunes, Município de Franca a 05/10/1922. Foram seus pais Pedro Rodrigues da Costa e Maria Cristina de Freitas.
A Fazenda dos Nunes pertencia a seus avós João Garcia Borges e Cristina Maria de Freitas, Cristina recebeu esta fazenda de herança de seu pai José Agostinho de Freitas, que a havia comprado do tenente Albino Nunes da Silva.
Daí o nome, Fazenda dos Nunes ou Furna dos Garcia, como também é conhecida, porque nela viveram os descendentes de João Garcia Borges.
O córrego dos Nunes, cai na cachoeira Dourada, cortando pelo meio a furna, nas fraldas das serras dominavam as matas, e nos limites dos pastos, o cerrado, por isso a fauna era muito abundante com mamíferos, aves e répteis.
Minha mãe gostava de se lembrar de sua infância, que passou nessa fazenda, contava que, nessa época, a fazenda era uma grande invernada, e da casa sede, o Taperão, podia se ver os ninhos de guacho, que balançavam nas macaúbas ao sabor do vento. A casa era grande e rústica, quase toda de madeira, com esteios e baldrames de aroeira, paredes de pau a pique, esquadrias e madeiramento do telhado em peroba, alicerces de pedra tapeocanga e arenito, coberta com telhas coloniais, com o fogão de lenha na cozinha, a fornalha e o forno na varanda.
Próximo à casa ficava o curral, onde era recolhido o gado para a ordenha, abaixo da casa tinha o pomar com muitas árvores frutíferas, entre elas, as mangueiras centenárias. Perto, ficava o monjolo, que quebrava o silêncio noturno, na sua atividade monótona de pilar arroz, café ou milho, mais abaixo ficava o moinho com sua bica de ferir que dava no córrego dos Nunes.
Nessa época os caminhos eram precários, os meios de transporte utilizados para trazer e levar mercadorias, e se deslocar até a cidade eram: a pé, a cavalo, no carro de boi, os veículos motorizados demoraram a chegar nestas paragens.
As atividades dos homens consistiam em: cuidar do gado, tirar leite, realizar os tratos culturais das roças de arroz, feijão, milho, café, mandioca e pomar, dedicavam-se também à carpintaria, construindo: currais, paióis, chiqueiros, armários, catres, mesas, bancos, caixas, e outros utensílios de madeira, utilizando para isto: machado, enxada, foice, picareta, enxadão, arado, carrinho, traçador, serra, serrote, enxó, formão, arco de pua e outras ferramentas . As mulheres tinham seus afazeres na casa, na cozinha e na varanda, onde trabalhavam no tear, na roca, no fogão, no forno, onde faziam: cobertas, tecidos, roupas, bordados, queijos, doces, goiabada, marmelada, farinha, pamonha, pães, biscoitos, roscas e outros alimentos, utilizando: cardadeiras, bastidores, panelas de ferro, tachos, gamelas, peneiras, cuias, colher de pau etc.
A principal diversão era a caça à cornicão, com a matilha e a cavalo, que se fazia ao veado, a caça à perdiz com cães perdigueiros, ambas com uso de espingarda, e a pesca de lambaris e traíras com anzol. A iluminação noturna era muito precária, a base do candeeiro de azeite, e as pessoas dormiam cedo, após as orações da noite realizadas em frente ao oratório. Raramente havia serões quando se contavam estórias e faziam advinhas. Em ocasiões especiais havia bailes ao som da sanfona, e uma vez ou outra, o ponteado de uma viola. E para acomodar as famílias que foram aumentando os herdeiros foram construindo em sítios mais afastados suas próprias casas.
Adolescente veio para a cidade para estudar no Colégio Nossa Senhora de Lourdes e depois no coleginho Jesus Maria José, nesse período seus pais vieram morar na chácara que possuíam nas proximidades da Capelinha.
Foi aí que conheceu o guarda livros João Baptista Alves, tataraneto do sesmeiro Antônio Alves Guimarães, com quem se casou em 29/09/1953, tendo uma convivência por quase 50 anos, residindo na cidade, dedicou-se então ao lar, cuidando dos filhos que iam nascendo, mas nunca se esqueceu de sua ligação com a fazenda, e a lida com as atividades que lhe eram próprias.
Conservou por mais de 50 anos a herança que recebeu dos pais na Furna dos Garcia, nela construindo uma humilde morada, onde formou um pomar com muitas variedades de frutas, criava pequeno rebanho de gado, poucos porcos e galinhas e acima de tudo, tinha um grande amor à natureza conservando até o fim uma reserva florestal na propriedade.
A missão de continuar a tradição ficará para os filhos: João Bekman, geólogo aposentado; Pedro Antônio, advogado e bancário aposentado; Maria Adelina, aposentada; Maria de Fátima, professora; Lúcia Maria professora e empresária; Leonardo Donizete negociante e Laércio Justino, trabalhador na construção civil, e também aos netos: Maria Júlia, psicóloga e professora; Tyrone, filósofo, Tymilo, psicólogo; Igor, estudante; Cassiano, trabalha com turismo; Urraca, bióloga e funcionária pública; Leandro, advogado e estudante; Maria Thereza, estudante de Engenharia Química; Gustavo, estudante de Engenharia mecânica e Luís Filipe, estudante de Engenharia Química.