“Com certeza está, agora, cuidando, a seu jeito cordial, amoroso, repleto de beijinhos e sorrisos, de parte da ‘acolhida’ lá do céu”
Morreu às 3h40 do dia 30 de setembro, no Hospital Regional de Franca, a senhora Juraci Conceição Silva Lima, conhecida e querida integrante da Pastoral da Acolhida da Igreja de Nossa Senhora das Graças, ex-inspetora de alunos da Escola Estadual “Torquato Caleiro”, onde trabalhou por 36 anos.
Em meados do mês, sofreu queda com fratura de fêmur, mas passou galhardamente por cirurgia na mesma semana. Dois dias após, liberada para movimentos, já se sentava. Ganhou alta na sexta-feira, dia 18, e voltou à companhia da família e de suas amigas do Lar de Leonor, onde, por decisão própria, passou a residir há quinze meses.
Ao início da semana seguinte, d. Juraci voltou à hospitalização para submeter-se à alimentação proteica por sonda, indispensável à sua recomposição física apenada pela cirurgia de alto risco que tinha passado. Na sexta-feira, ainda que seus exames de rotina apontassem condições físicas ideais, foi vencida por parada cardiorrespiratória. Nem exaustivas manobras conduzidas por corpo de enfermagem e acompanhadas por médicos puderem ressuscitá-la.
Partiu aquela que três gerações de estudantes no EETC tiveram como uma “mãe” com quem podia se contar contar na ocasião de compartilhar alegrias e tristezas. Eles a consideravam umaaconselhadora sábia, amiga, educadora por natureza, sem cátedra. Foi-se ‘d. Juraci, da ‘Acolhida’, que, como dizia Frei Ditinho, pároco da Igreja de N.S. das Graças, gostava de ficar nas portas onde entravam menos pessoas, porque assim, podia conversar com elas, falar-lhes de fé que tinha em Deus e em Nossa Senhora, a quem tratava de “minha mãezinha’’.
Juraci estava, há 18 anos, viúva de Domingos Tristão Lima, o grande amor de sua vida; ele que foi um dos fundadores do basquete de Franca. Do enlace, um filho, o jornalista Luiz Neto, casado com Lourdes Lazarini de Lima; e dois netos Mariana, casada com Diego Freire; e Luiz Cassiano. “Ele morreu na madrugada do dia da eleição de 1998. A chamou na véspera das eleições de 2016, e ela se foi, feliz, reencontrá-lo. Com certeza está, agora, cuidando, a seu jeito cordial, amoroso, repleto de beijinhos e sorrisos, de parte da ‘acolhida’ lá do céu, para onde, sem qualquer incerteza, foi, conduzida por ‘seu’ Domingos”, disse o filho, o jornalista Luiz Neto.
Era filha de Fidélis José da Silva e Ana Luiza da Conceição, e irmã de Maria, viúva de Nelson Palamoni; e de Zoraide, viúva de Olívio Pinheiro. “Ninguém dizia que minha mãe tinha 90 anos. Independente, preferiu continuar residindo em sua casa a ‘atrapalhar alguém da família’. Viajou a não mais poder com gente do tempo de escola e com amizades novas que fez à cada excursão que participou. Cuidou de suas contas com zelo e olhar atento. Aperfeiçoou sua capacidade de análise financeira quando decidiu, já adulta, cursar Contabilidade no Ateneu Francano. “Perguntei-lhe, quando anunciou que queria fazer o curso, sobre razão prática para o estudo. Não pestanejou ‘vou ajudar quem eu puder em economia doméstica. Fez. Só em seus últimos anos de sua vida, já acometida por princípio de Alzheimer e se tornando ‘esquecida’, decidiu-se por me pedir para cuidar de tudo”, disse o filho.
Daí em diante, passou a dirigir-se, várias vezes ao dia, para um ‘café’ com Aparecido Maldonado Ponce e Norma, no supermercado São Paulo. Tratada por eles como alguém da família, era sempre bem recebida. No velório de ‘D. Fia’, como eles a tratavam, quase ninguém acreditou quando os próprios Aparecido e Norma adentraram o local para saudarem a cliente/amiga que os acompanhou desde o início da história do supermercado. “Diz a lenda que Aparecido não se afasta de seu negócio por nada. Não desta vez”, disse Luiz Neto.
Ano passado, pediu ao filho para conhecer lares para idosos. “Encantou-se com o Lar de Leonor, com amigas ‘novas’ que fez, sentiu-se uma rainha com o cuidado das competentes administradoras, enfermeiras, cuidadoras e todas que lá atuam. Saiu para uma cirurgia que sua história garantia que venceria mas...’, concluiu Luiz.
Corpo velado no São Vicente de Paulo — e memória saudada pela cronista Patrícia, por integrantes de pastorais da Catedral Sé de N.S. da Conceição, por Frei Ditinho, da “Nossa Senhora das Graças”; pelo sobrinho dela, pastor e vereador Otávio Pinheiro — Juraci foi sepultada, com serviços da Funerária Nova Franca, no Cemitério da Saudade, dia 30, 16 horas. No dia 7 próximo, todas as missas celebradas na Igreja de N.S. das Graças recordarão a memória de Juraci. A das 19 horas será aquela em que a família se reunirá pelo Sétimo Dia de sua partida.