Eis que entramos em nova estação, aquela que pode desvelar em sutilezas o mistério do ato criador. Basta atentar ao redor, abrir os olhos, acurar ouvidos, respirar também com a alma. Plantas que permaneciam apenas enfolhadas logo vão nos surpreender com flores que desabrocharão da noite para o dia. A semente lançada há tanto tempo na terra e tida como morta vai se abrir em passe de mágica: exibirá as folhinhas verdes despertadas de sua profunda latência dentro da cápsula que as guardou por meses. Perfumes se evolarão atraindo homens, aves e insetos. Animais domésticos irão se agitar de forma incomum, como se tomados de súbita euforia por algo que só eles percebem na rutilância do ar. E pássaros meio ensandecidos poderão até perder o rumo de seus ninhos, conforme pude atestar ontem.