08 de julho de 2026

O regresso de Rimbaud


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“A subida ao Gólgota  pode ter sido atroz. Minha descida dos altiplanos abissínios não terá sido menos sofrida. Parti, já crucificado. A liteira balouçante era a cruz e o esquife, minha perna direita o cravo que me transpassava de dor as carnes e o pensamento. Construída segundo meu desenho, mas com a falta de perícia e esmero doas artesãos, a liteira se assemelhava a um barco rústico, batido por tempestades, prestes a se desfazer e a afundar. Balouçante como uma nau no meio da tormenta, jogava meu corpo de um lado para outro e me provocava gritos de dor a cada passo daquela aranha  negra e estranha que se movia hesitante em direção à costa (...) Partimos no dia 7 de abril de 1891. Outro poeta ainda diria, um dia, que abril é o mais cruel dos meses. Para confirmar essa crueldade, logo a chuva nos surpreendeu.”