“Foi mãe e foi pai. Fomos educados ao jeito deles, mais dela, já que papai morreu muito jovem”
Morreu aos 10 minutos da madrugada da segunda-feira, dia 12, durante traslado por ambulância ao Hospital São Joaquim/Unimed, de Franca, a senhora Cacilda Roncari. Tinha 94 anos. Estava acamada há um ano, fase final do Mal de Alzheimer, doença com a qual conviveu por 14 anos. “Mamãe já não andava ou falava há seis anos. A vimos definhar. Tudo ficou ainda mais complicado com sua idade avançada. A falência múltipla de órgãos registrada no atestado de óbito revela, claramente, que ela cumpriu sua vida até o corpo não suportar mais. Cuidamos dela com todo zelo, o mesmo zelo com que ela cuidou de nós, seus seis filhos, depois que papai morreu ainda muito moço”, disse a filha Adelina.
Estava viúva de Antônio Simão, com quem teve 23 anos de casamento. Naturais da zona rural de Ribeirão Corrente (SP), onde suas famílias tinham pequenas propriedade rurais, conheceram-se em Furnas (SP) e se casaram em Franca.
“Papai e mamãe, pequenos ruralistas, se estabeleceram, no início da vida a dois, em propriedade de Ribeirão Corrente. Lá, nascemos — somos em seis filhos, Célia, viúva de Siedes Pulheis; Nair, Jamil, casado com Augusta; Jaime, Adelina, casada com José Ângelo Pires; Altair, casado com Eliane — e, junto com eles, trabalhamos todos na terra, tocando roças de arroz, feijão, e cuidando de algumas cabeças de gado. Nossa vida não foi fácil, mas todos aprendemos, com eles, o valor do trabalho duro”, disse Adelina.
Antônio Simão, atingido por infarto fulminante do miocárdio, deixou Cacilda viúva muito cedo. “Permanecemos ainda em nosso sítio por alguns anos. Mamãe entendeu que deveríamos vender a propriedade e mudar para Franca, por melhores oportunidades. Os dois irmãos mais velhos formaram suas famílias e continuaram morando em Ribeirão Corrente. Nós outros a acompanhamos a Franca”, disse ela.
Ao longo dos tempos, os filhos se colocaram profissionalmente — Jamil tornou-se enfermeiro da Santa Casa, aposentou-se, mas ainda continua atuando no hospital; Jaime se tornou representante comercial de suprimentos de alimentação para supermercados; Adelina foi chanfradeira em fábricas de calçados, e hoje está aposentada; Altair trabalha como chefe de almoxarifado em indústria de calçados — e formaram família. “De nossos enlaces, demos 12 netos a mamãe — Fábio, Vânia, Adenilson, Alex, Andresa, Vagner, Edmar, Edson, Simone, Anderson, Thiago e Thales —, e 15 bisnetos. Nossa família se tornou tradicional na Vila Nova e mamãe, nossa líder, conhecida por sua história de vida e dona de amizades que sempre a respeitaram por sua força e determinação”, disse Adelina.
“Foi mãe e foi pai. Tínhamos horários para sair e para voltar para casa. Fomos educados ao jeito deles, mais dela, que nunca nos deixou faltar nada, já que papai morreu muito jovem. Cozinhava, costurava para nós, estava sempre presente para nos ouvir e aconselhar. Seguimos junto com ela até seus últimos momentos. Estava morando comigo há um ano, mas todos jamais deixaram que nada lhe faltasse. Nos últimos tempos, pedimos a Deus que fizesse o que fosse melhor para ela. Não queríamos que sofresse. Está em um bom lugar, hoje”, concluiu a filha.
Cacilda foi velada no São Vicente de Paulo. Sepultamento aconteceu nesta segunda-feira, 16 horas, no Cemitério da Saudade, com serviços da Funerária Nova Franca.