09 de julho de 2026

Escândalo bagunça disputa em Ribeirão


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Candidatos a prefeito com nomes envolvidos na maior operação contra a corrupção da história de Ribeirão Preto (SP) e uma Câmara esfacelada com o afastamento de nove vereadores, tudo a um mês da eleição municipal.

A Operação Sevandija – que significa "parasita" –, deflagrada no último dia 1º pela Polícia Federal e o Ministério Público paulista, escancarou suspeitas de corrupção na cidade e bagunçou a disputa eleitoral. Dois dos nove candidatos que disputam a prefeitura tiveram os nomes envolvido na operação, que investiga um suposto esquema onde o montante fraudado chega a pelo menos R$ 203 milhões.

Wagner Rodrigues (PC do B) foi levado coercitivamente a depor na última terça-feira (6). Um irmão de Ricardo Silva (PDT), que lidera as pesquisas de intenção de voto, teve contato com um advogado ligado ao empresário Marcelo Plastino, dono da empresa Atmosphera e um dos pivôs do escândalo. A empresa de Plastino é suspeita de ser usada pela Coderp (um órgão da prefeitura) em licitações fraudulentas, para que abrigasse funcionários terceirizados indicados por aliados da prefeita Dárcy Vera (PSD), especialmente vereadores.

Os vereadores suspensos estão impedidos até mesmo de entrar na Casa, embora possam prosseguir com suas campanhas à reeleição. No horário eleitoral, o tema praticamente não foi citado. "O político deve ter espírito público e resolver primeiro seu problema com a Justiça, para depois se candidatar", critica Jorge Sanchez, da Amarribo Brasil, entidade que acompanha gastos públicos. Para os que restaram na Câmara, o problema tem sido votar projetos com apenas 13 vereadores, já que os suplentes não foram convocados até agora. 

A quatro meses do fim, o governo de Dárcy Vera (PSD) enfrenta paralisia. Dois secretários foram presos na operação e um terceiro foi afastado pela Justiça. Ela tem evitado aparições públicas.
A empresa Atmosphera já estava presente no governo anterior, de Welson Gasparini (PSDB), quando uma comissão foi aberta na Câmara, em 2006, para apurar suspeitas em licitações referentes a manutenção de escolas.

OUTRO LADO
Advogado de Plastino, de funcionários da Atmosphera e de um dos políticos envolvidos, Júlio Mossin afirmou que a empresa não cometeu irregularidades ao ter contato com parlamentares e que o processo de terceirização é legal. Disse ainda que a empresa será encerrada após o episódio.

Dárcy Vera não comentou a operação que devastou seu governo. Sua defesa tem afirmado apenas que ela é a "maior interessada" no esclarecimento dos fatos.