Carlos Ti On Martins Kon Tein, de 41 anos, era um motoboy e teria deixado um bilhete no bolso da calça explicando suas intenções. "Oi, estou com problemas pessoais. Brayan, filho, às vezes tem um suicida na sua frente e você não vê", escreveu Carlos. Brayan era filho do motoboy, tinha 4 anos e também morreu na queda. No bilhete constavam os telefones do irmão, da mãe e da avó de Carlos.
A queda aconteceu na segunda-feira, dia 29, por volta das 11h. Segundo o site da revista Veja, algumas pessoas tentaram evitar que Carlos pulasse com o filho nos braços, porém, o motoboy aproveitou um momento de distração das pessoas e se jogou do prédio.
"Vamos investigar se ele usou a criança para se vingar da mulher. Mas por enquanto é só uma hipótese mesmo não podemos confirmar nada ainda", esclareceu o delegado Lupércio Antônio Dimov, do 23º DP (Perdizes), responsável pelo caso. Carlos e a mulher, mãe de Brayan, estavam juntos há 10 anos, no entanto, viviam uma relação conturbada nos últimos anos, que se agravou após o motoboy ficar desempregado.
"Ele era uma pessoa muito boa, ninguém imaginava que iria fazer isso, foi uma tragédia e estamos em choque", contou Rodrigo Martins, irmão de Carlos. Ele explicou ainda que o motoboy era usuário de drogas. O delegado revelou que Carlos não possuía antecedentes criminais e também não tinha uma audiência marcada no fórum. O caso levantou as discussões a respeito da instalação de vidros que impeçam ações como a de Carlos.
No Tribunal Regional do Trabalho já aconteceram 5 mortes semelhantes desde o início de 2015. "Pedimos a instalação de telas de proteção para evitar novos incidentes desse tipo", conta o presidente Lívio Enescu. "Custaria 150 mil reais e o TRT cortou em 30% o orçamento, mas nos dispusemos a levantar esse valor. Só que até agora, eles não se pronunciaram", comenta ele.
Em nota, o Tribunal Regional do Trabalho informou que as rampas começaram a ser fechadas em março, a fim de evitar situações do tipo. No entanto, os vidros que deveriam ser implantados nas rampas para solucionar o problema definitivamente, ainda dependem de disponibilidade orçamentária.