Chama-se literatura de viagem à produção de valor documental que registra deslocamentos no espaço, descobertas de paisagens e tipos humanos. Desde a chegada de Colombo à América, artistas viajantes percorreram com telas, tintas, pincéis, papel e caneta o território até então ignorado. Seus objetivos eram fixar flora, fauna, rios, nativos, costumes, organização social em formação. Entre os séculos XVI e XIX, descrições e imagens comporão no imaginário europeu o Novo Mundo e, dentro dele, o Brasil. Inicia-se a coleta de elementos capazes de inspirar, especialmente a partir da Independência, o desejo dos brasileiros de contarem sua própria história.
Um século depois os holandeses Albert Eckhout(1661-1666) e Frans Post (1612-1680), contratados para integrar a comitiva de Maurício de Nassau, governador de Pernambuco, registram o que veem sob a ótica da escola flamenga. Telas de grandes dimensões mostram na clave naturalista flores, frutos, objetos, tipos humanos.