06 de maio de 2026

Debret e outros artistas viajantes


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Chama-se literatura de viagem à produção de valor documental que  registra deslocamentos no espaço, descobertas de paisagens e tipos humanos. Desde a chegada de Colombo à  América, artistas viajantes percorreram com telas, tintas, pincéis, papel e caneta o território até então ignorado. Seus  objetivos eram fixar flora, fauna, rios,  nativos, costumes, organização social em formação. Entre os séculos XVI e XIX,  descrições e imagens comporão no imaginário europeu o Novo Mundo e, dentro dele, o Brasil. Inicia-se a coleta de  elementos capazes de inspirar, especialmente a partir da Independência, o desejo dos brasileiros de contarem sua própria história. 

O alemão Hans Staden (1510-1576), com suas Aventuras, inaugura o gênero ao traduzir  em desenho e  narrativa  suas  peripécias com os tupinambás que quase o devoraram.  Frei André Thevet (1502-1592) acompanha a expedição de Villegaignon e produz Singularidades da França Antártida. O pastor calvinista Jean de Léry (1536-1613)  conta uma História de Viagem Feita à Terra do Brasil. Outros, menos notados, seguem a mesma trilha.

Um século depois os holandeses Albert Eckhout(1661-1666) e Frans Post (1612-1680), contratados para integrar a comitiva de Maurício de Nassau, governador de Pernambuco, registram o que veem sob a  ótica da escola flamenga. Telas de grandes dimensões mostram na clave naturalista flores, frutos, objetos, tipos humanos.