09 de julho de 2026

Médicos apontam ligação entre uso de anticoncepcional e trombose


| Tempo de leitura: 2 min
Juliana conta que tomou Yaz por cinco anos, passou por três ginecologistas e nenhum dos profissionais comentou sobre os riscos de trombose

O relato da jovem Juliana Bardella, de 22 anos, que sofreu trombose venosa cerebral devido ao uso de pílula anticoncepcional, viralizou na web e alertou sobre os riscos do medicamento.

A postagem feita no Facebook há uma semana, teve mais de 178 mil comentários, 73 mil compartilhamentos e 228 mil reações. Juliana conta que tomou Yaz por cinco anos, passou por três ginecologistas e nenhum dos profissionais comentou sobre os riscos de trombose.

O site Extra entrevistou Marcos Areas, diretor da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular do Rio. O médico admite que o medicamento potencializa os riscos de uma trombose. "Todo anticoncepcional oral tem potencial trombogênico. Aqueles com estrogênio, principalmente, podem causar a hipercoagulabilidade no sangue", diz Areas. Ele aponta que a coagulação do sangue, a trombose, pode ocorrer em qualquer parte do corpo na qual circule o sangue. "O maior risco de trombose na perna é a embolia pulmonar, quando um coágulo vai para o pulmão, podendo ser fatal", cita o médico.

João Bosco Meziara, membro da Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo, esclarece que o histórico da paciente deve ser analisado antes de se receitar o anticoncepcional. "Deve-se saber se a mulher tem alguém na família com trombose, se tem problemas vasculares, varizes, é fumante ou obesa", afirma Meziara. "Os benefícios da pílula, porém, são maiores que os malefícios. Se prescrita corretamente, a pílula melhora a TPM, evita as cólicas menstruais, diminue o sangramento e riscos de anemia e previne contra endometriose e cistos no ovário", continua o médico.

O site esclarece ainda que é mais comum que a trombose aconteça em veias do que em artérias, uma vez que o sangue venoso flui mais lentamente. Entre os fatores de risco estão história prévia de trombose, casos na família, idade avançada, imobilização, cirurgias, gravidez, pós-parto e trombofilia (doenças que aumentam a coagulação). A trombose costuma ser assintomática, porém, quando o coágulo se forma, a região afetada passa a doer, há inchaço, sensação de calor, veias dilatadas, pele endurecida e escurecida. Nos casos em que a trombose é cerebral, os sintomas são tontura e enxaquecas. O tratamento é feito com medicamentos anticoagulantes e nos casos mais graves, cirurgia para desobstrução das veias.