09 de julho de 2026

Repórter com mesma doença que matou Guilherme Karan desabafa


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Arnaldo Duran, da Rede Record, fez um desabafo no Programa do Gugu

O repórter Arnaldo Duran, da Rede Record, fez um desabafo sobre a síndrome de Machado-Joseph, da qual é portador. A doença é a mesma que vitimou o ator Guilherme Karan.

Na quarta-feira, dia 3, Arnaldo concedeu uma entrevista ao apresentador Gugu Liberato, no Programa do Gugu, revelando detalhes de como descobriu a síndrome e como enfrenta a situação. A doença neurológica é degenerativa, não tem cura e é fatal. A síndrome afeta o cerebelo, região do cérebro responsável pelo equilíbrio e coordenação motora. A doença tem origem genética e se manifesta geralmente em adultos a partir dos 35 anos.

O repórter de 59 anos descobriu ser portador da síndrome após uma queda. "Eu cai em casa, fiquei com o olho todo roxo. O médico desconfiou e falou com o neurologista. Ele falou: 'Você pode ficar internado uma semana pra fazer exames?'", disse Arnaldo. "Com a emoção, a minha voz muda, eu troco palavras... Eu preciso me concentrar pra falar! Eu não posso deixar que a emoção tome conta de mim. Só que eu não tenho ainda os sintomas graves que o Guilherme teve. Aliás, eu chorei muito na morte do Guilherme e não tive coragem de falar pra família dele que tinha isso", declara o repórter.

"O diagnóstico foi difícil, tanto que o médico não falou de cara. Eu tive muito medo. Medo do sofrimento, de ficar sem condição nenhuma de falar... E eu tinha uma obrigação de falar pros meus filhos que eles estariam sujeitos a ser portadores dessa doença. Mas penso que, quando eles, possivelmente, forem diagnosticados, já vai haver cura!", comentou Arnaldo.

"Eu tive dificuldade pra falar, dificuldade inicial de aceitar... Eu tive muito medo, passei uma noite em casa chorando. Eu tinha medo do futuro!", revela o repórter. Arnaldo conta que sofre preconceito, uma vez que os sintomas se assemelham aos de uma pessoa embriagada. "O que mais dói é a pessoa pensar que a gente está bêbado. Você tem todos os sintomas de uma pessoa embriagada... Dá raiva, mas a pessoa não tem culpa nenhuma!", explica Arnaldo.

O repórter deixa ainda uma dica aos demais portadores da doença. "Se apegue à família e a Deus. Não entre em desespero!...Eu vou trabalhar até quando meus chefes quiserem e até quando meu Deus quiser. Eu vou usar minha voz agora para falar das coisas de Deus. Eu tive um medo terrível! Chorei tanto imaginando um futuro incerto... Esse medo eu não tenho mais porque eu sei, tenho certeza, que eu vou longe ainda", conclui Arnaldo. "Enquanto eu tiver capacidade de falar, enquanto eu não me arrastrar, enquanto a dignidade me permitir, eu vou trabalhar. Eu confio!", encerra o repórter.