Theresa May, 59, se tornou oficialmente a 13ª premiê do Reino Unido nesta quarta-feira (13), três semanas após os britânicos terem votado para deixar a União Europeia. Conservadora como o antecessor, David Cameron, a ex-secretária do Interior tem uma longa carreira política -começou como vereadora, em 1986, após se formar em geografia e trabalhar no Banco da Inglaterra- e liderará o país em um momento delicado de sua história.
"Acabei de deixar o palácio de Buckingham, onde a rainha me pediu para formar um novo governo, e eu aceitei", disse May após o encontro durante a tarde com Elizabeth 2ª, no qual assumiu a chefia de governo, já diante da residência oficial, no número 10 da rua Downing.
Quase 26 anos após Margaret Thatcher (1979-90) e depois da renúncia de Cameron, o Reino Unido volta a ser governado por uma mulher.
Em discurso já como nova premiê, May disse que os britânicos enfrentam "um período de grande mudança social", e que ela planeja liderar com espírito de unidade. Prometeu trabalhar para desfazer fraturas agravadas pelo plebiscito que decidiu o rompimento com a União Europeia (o Brexit, a saída britânica da UE) em junho mas também deixou claro que desencadeará o processo.
Segundo a premiê, o Reino Unido vai assumir um papel "positivo" no mundo, mesmo que fora do bloco europeu.
"Enquanto nos separamos da União Europeia, vamos criar um papel arrojado para nós no mundo e fazer do Reino Unido um país que funcione não para poucos privilegiados, mas para cada um de nós", afirmou.
Acenando às famílias que enfrentaram dificuldades após a crise financeira de 2008, May prometeu lutar por justiça social. Muitas dessas pessoas, cansadas de políticos e burocratas distantes, votaram a favor do Brexit.
Após se despedir formalmente do cargo em uma sessão de perguntas e respostas no Parlamento, Cameron, 49, deixou a residência oficial e entregou sua carta de renúncia à rainha Elizabeth.
ADEUS
Cameron renunciou a seu cargo na sequência da derrota no plebiscito que determinou a ruptura com a União Europeia –o premiê foi garoto-propaganda da permanência, opção também defendida pela sucessora.
Em sua despedida, ele pediu que May mantenha o Reino Unido o mais próximo possível da UE. "Meu conselho à minha sucessora -uma negociadora brilhante- é que devemos tentar ficar o mais próximos que pudermos da União Europeia para podermos nos beneficiar do comércio exterior, da cooperação e da segurança", afirmou.
Muito aplaudido pelos parlamentares, o ex-premiê manteve um tom leve em sua despedida, com brincadeiras e comentários bem-humorados, incluindo alusão ao grupo de humor Monty Python.
Na saída, reivindicou um legado além do Brexit: afirmou que seu governo reduziu o deficit fiscal, supervisionou crescimento econômico e legalizou o casamento entre pessoas do mesmo sexo. "Não foi fácil e não acertamos todas as decisões, mas creio que o país é mais forte hoje."
Desaprovado por 2 de cada 3 britânicos (May é bem vista por 55%), segundo pesquisa do Mori, Cameron tento sair sob luz positiva. "Sentirei falta do rugido da multidão. E das farpas da oposição."