O capítulo exibido ontem em Liberdade, Liberdade se tornou um marco na teledramaturgia brasileira. Foi a primeira vez em que uma cena de sexo entre homens foi exibida.
Os personagens André e Tolentino, interpretados respectivamente por Caio Blat e Ricardo Pereira, finalmente se renderam à paixão. A sequência longa, ao som de música clássica, recebeu elogios inclusive de outros atores, que sofreram preconceito ao representarem homossexuais.
"Em 1995, eu tive que andar com seguranças durante meses porque fui ameaçado de morte. Era uma juventude que estava fazendo um monte de besteira para dizer que era contra os gays", lembrou André Gonçalves. Na ocasião, ele interpretava o homossexual Sandrinho, em A Próxima Vítima. "Ser homofóbico é ser da turma do mal. É dizer que não aceita o outro", afirmou André.
Marcello Melo contou ao site Extra que estava curioso para ver a cena entre André e Tolentino na trama das 23h. "Talvez seja o momento de uma liberdade maior, de abordar o assunto sem briga. Nada mais glorioso do que tocar nesse assunto, num tema polêmico, dessa maneira natural", comemorou Marcello.
Em 2015, em Babilônia, o ator interpretou Ivan. No último capítulo, seria exibida uma cena de beijo entre o personagem de Marcello e Sérgio, vivido por Claudio Lins. A cena, porém, foi cortada na versão final. A situação foi considerada um retrocesso, já que Félix (Mateus Solano) e Niko (Thiago Fragoso) haviam se beijado em Amor À Vida, em 2014.
Fernando Eiras, que esteve em cena ousada com Reynaldo Gianechinni na novela Verdades Secretas, também comentou a cena de Liberdade, Liberdade. "Quanto ao entendimento da sociedade, isso é algo que, na última década, avançou. As opiniões, as diferenças, os preconceitos. Tudo está sendo revelado, assim como os ladrões em Brasília", disse o ator. "É um êxito essa novela! A questão do preconceito é muito mais vasta", opina Eiras.