“Era alegre, espirituoso, seguro de si. Foi respeitado profissional na sua área de atuação”
Morreu na madrugada do dia 25, no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, o francano André Luiz Junqueira Maníglia. Tinha 68 anos. Há alguns anos apresentou insuficiência hepática que, complicada, o colocou na fila de transplantes de fígado no HC.
O procedimento, indispensável à continuidade de sua vida, foi adiado várias vezes por incompatibilidade de órgãos. Semana passada, doador compatível finalmente encontrado, André foi chamado ao HC. A bateria de exames pré-cirurgia constatou extrema debilidade física, e ele não foi considerado apto à intervenção. Permaneceu internado para resgatar reequilíbrio físico capaz de possibilitar-lhe a complicada intervenção do transplante, mas, nos dias seguintes, novas crise o apenaram e o mataram. Segundo o atestado de óbito, a razão da morte foi encefalopatia.
Era filho de Nicola Maníglia Júnior e Clara de Araújo Junqueira Maníglia, já falecidos. Teve três irmãos, o cirurgião dentista Wilson, casado com Gisela Lemos Maníglia; a professora Maria Helena, casada com Paulo Roberto Amâncio da Silva; e a jornalista, escritora e professora Lúcia Helena, colunista deste Comércio, casada com Carlos Alberto Rosa Brigagão. Foi tio e tio-avô coruja de 10 sobrinhos e 9 sobrinhos-netos.
Casou-se duas vezes, primeiro, com Clélia Coimbra, com que teve duas filhas, Elisa e Eliana, casada com Thiago Stédile Minorin, conhecido Enzo. Do casamento com Renata Maníglia, uma filha, Lorena. Dos enlaces dos filhos, André teve duas netas, Giovana e Carolina.
Estudou no Colégio Champagnat e na Escola Estadual “Torquato Caleiro”, casas de ensino referenciais de sua época. Formou-se engenheiro na primeira turma da Faculdade de Engenharia de Ribeirão Preto (SP). Terminada a faculdade, foi trabalhar em Campinas (SP), onde viveu muitos anos e se especializou em cálculo para construções. Voltou a Ribeirão, e nessa cidade morou a maior parte da vida.
De gênio descontraído, construiu largo círculo de amigos. “Na gestação de André, mamãe sofreu uma grave queda em escada. Ele nasceu com coágulo sanguíneo no canto esquerdo da boca que, corrigido, deixou-lhe paralisia do nervo facial daquele lado do rosto. Por causa disso, ganhou na escola o apelido de André Boca Torta, que o perseguiu durante a vida escolar, evidente e cruel bullying que incomodava mais a nós, os irmãos, do que a ele próprio. Dizia, às gargalhadas, que o incômodo real era sua total incapacidade de assoviar as melodias das quais gostava. Era alegre, espirituoso, carinhoso e muito seguro de si. Parecia sempre muito feliz, adorava dançar e ouvir música. Foi excelente e respeitado profissional na sua área de atuação”, disse a irmã Lúcia Helena.
André foi velado e sepultado às 8h30 do dia 26 de junho, no Cemitério Bom Pastor, de Ribeirão Preto. Hoje, 19 horas, na Igreja de Nossa Senhora das Graças, em Franca, será celebrada missa de Sétimo Dia, por intenção de sua alma.