Morreu às 5h10 do dia 14, na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital do Coração da Fundação Santa Casa de Misericórdia de Franca, o senhor João Batista de Paulo, aos 78 anos. Seu atestado de óbito registrou infarto agudo do miocárdio. “Nada indicava que papai nos deixaria assim, de repente, já que, apesar de ser diabético e hipertenso, tinha vida regrada e levava muito a sério os medicamentos que lhe eram receitados”, disse seu filho Osmar.
Os problemas que culminaram em sua morte começaram a ocorrer na sexta-feira, dia 10. “Ele se queixava de desconforto na garganta. O levamos ao PS Azzuz e ele foi medicado. Enquanto estava no soro, teve uma parada cardiorrespiratória. Imediatamente foi submetido a manobras de reanimação. Em seguida, enfrentou nova parada, e novamente foi reanimado. Levaram ele diretamente à UTI do Hospital do Coração. Ficou lá até o dia 14, quando o perdemos”, disse o filho.
João era natural da zona rural de Lavínia (SP). Casou-se com a também lavradora Ozélia Zago de Paulo. Do enlace, seis filhos (a sapateira Valdete Aparecida, o gráfico Márcio Antônio, Osmar, casado com Eliana, há 20 anos trabalhando com sua própria banca de pesponto; Jandira, casada com Mauro, ambos funcionários da prefeitura de Pedregulho/SP; Eduardo Carlos, casado com Izilda, pespontadores; e Elza), e dez netos (Angélica, Ana Laura, Dinho, Aline, Suellen, Rodrigo, Carlos, Murilo, Larissa, Raíssa).
Com toda a família, sempre em busca de oportunidades de melhoria de vida, seguiram primeiro para Bilac (SP), onde Ozélia morreu, aos 34 anos. Depois, foram para Limeira, onde João e os filhos foram morar em um único cômodo. A acompanhá-los, dona Florinda de Jesus, mãe dele. “Papai sempre foi um herói, para nós. Quando muito jovem, enfrentou, junto à mãe dele, o abandono do lar por seu pai. Tornou-se o pai de seus irmãos e, literalmente, os criou. Teve que repetir tudo quando perdeu nossa mãe, Ozélia, morreu. Depois do sepultamento dela, ele levou a gente para o meio do cafezal, reuniu todo mundo em um círculo, e prometeu que nada nos separaria, que permaneceríamos juntos, e ele nunca quebrou essa promessa”, disse Osmar, emocionado.
“Lá em Limeira, tivemos acesso a uma casa popular, e ficamos quase felizes. Os planos econômicos que ocorreram no país nos fizeram perder essa propriedade. Voltamos à estaca zero e decidimos seguir para Franca, onde já residia nossa irmã Valdete. Com a gente, sempre junto, nossa avó materna, que acabou se tornando nossa mãe”, contou Osmar.
A família chegou a Franca em 1985. João, que não escolhia serviço, empregou-se como servente de pedreiro. “Ele nunca deixou faltar nada em casa. Oessencial nunca faltou. À medida que crescíamos, fomos arranjando empregos e nossa vida, finalmente, melhorou. Devemos o que somos a nosso paí, e também muito, a vovó. Papai também trabalhou como picolezeiro, e foi assim, sempre em pequenos e dignos trabalhos, nos dando lições de vida, de honestidade, de crença no futuro”, concluiu Osmar.
Velório aconteceu no São Vicente de Paulo. Sepultamento, com serviços da Funerária Nova Franca, foi realizado no Cemitério Parque Jardim das Oliveiras, dia 14, 16 horas.