“Homem simples, ensinou-nos a trabalhar para que nunca nos faltasse nada. Somos e seremos como ele, e para sempre”
Morreu no dia 2 de junho, 7h45, na Santa Casa de Misericórdia de Franca, o senhor Antônio Soares de Oliveira. Tinha 85 anos. Fumante, enfrentava, desde 23 de maio, internação para tratamento de enfisema pulmonar. Em sua casa sofreu gravíssima crise respiratória. A família o levou à UPA do Aeroporto e lá foi constatada a doença.
“Papai sofreu muito nos últimos meses. Vinha se tratando de bronquite, mas tinha enfisema não diagnosticada antes. Não conseguia respirar adequadamente. Era um homem acostumado à vida dura. Há vinte anos, sofreu dois infartos seguidos e passou por uma angioplastia, mas, apesar das recomendações médicas, não deixou de fumar. Infelizmente, o perdemos para o cigarro”, disse a filha Luzia.
Era natural de Campo do Meio (MG). Casou-se com Alaíde de Oliveira. Moraram a maior parte da vida em propriedades rurais, trabalhando como lavradores. Do enlace, doze filhos (Antônio Carlos, falecido, casado com Maria das Dores; Maria das Graças, casada com Gaudêncio; João Batista, casado com Maria Conceição; Vilma, casada com Eurípedes Mello; Maria de Fátima, casada com Júlio Tadeu; Milton, casado com Sônia; Vanda, casada com Augusto; Maria Lúcia, Renato, casado com Luciana Mara; Luzia; Esmeralda e, mais um filho, adotado, Juvenil, casado com Maria), 40 netos, 20 bisnetos e três tataranetos.
Depois de buscarem melhores oportunidades de vida em Cássia (MG) e Ribeirão Preto (SP), para criar a grande família, Antônio e Alaíde se mudaram, finalmente, para Franca. Corria o ano de 1979. Na cidade, criaram raízes. “Nós, os filhos, sempre acompanhamos papai e mamãe no trabalho na terra. Foi sempre tudo difícil, mas nos tornamos família unida, capaz de suplantar todos os obstáculos. Aqui em Franca, pudemos trabalhar em outras atividades e constituir nossas próprias famílias”, disse a filha.
“Mamãe foi uma mulher carinhosa, amorosa, mas completamente comprometida em nos tornar gente séria. Pegava varinha, correia e chinelo quando tinha que nos fazer compreender certas coisas da vida. Compreendíamos cada vez que acontecia. Ela foi nossa mãezona e se tornou inesquecível. Com a morte dela, papai foi morar com Esmeralda. Cuidaram um do outro até agora, quando ele morreu”, emocionou-se Luzia.
Para os filhos, ver Antônio sempre dedicado ao trabalho para nunca deixar faltar nada à família, foi o principal exemplo que ele deixou. “Papai foi um homem sistemático, comprometido com a decência e a honradez. Em Franca, quando chegou, montou mercearia e formou boa clientela. Homem simples, ensinou-nos a trabalhar para que nunca nos faltasse nada. Somos e seremos como ele, e para sempre”, disse Luzia.
“Nossa família tem um agradecimento especial a fazer ao médico Igor Botto, que cuidou de papai quando ele, já muito fragilizado — estava pesando só 45 quilos — lutava para continuar vivendo. Nunca nos esqueceremos do cuidado e competência deste médico”, completou Luzia.
O velório de Antônio aconteceu no São Vicente de Paulo. Sepultamento, ontem, dia 3, com serviços da Funerária Nova Franca, foi realizado às 9 horas, no Cemitério Parque Jardim das Oliveiras.