Cintia Ferreira Francelino, mãe do menino de 10 anos morto por policiais militares enquanto tentava fugir com um carro furtado na zona sul da capital paulista, negou que ele praticasse crimes e acusou os PMs de plantar uma arma na criança. De acordo com o boletim de ocorrência, o menor atirou contra os policiais antes de ser morto.
“Como ele [o policial que deu um disparo na cabeça do menino] não viu que era uma criança, meu Deus? Ele não tem filho?”, disse à mãe à Veja. “Ele estava andando muito na rua, mas não tinha arma. Quero que façam exame da digital na mão dele”, referiu-se ao exame residuográfico que detecta resquícios de pólvora. “A gente sabe como é as coisas onde a gente mora. Todo mundo sabe. Todo mundo ali sabe que ninguém daria uma arma para um menino de 10 anos. Tem consequência. Então, não tinha como ele ter uma arma”, afirmou.
Apesar da negatória da mãe, já existiam dois boletins de ocorrência por furto registrados contra a criança. A PM afirma que os policias viram um carro furtado na rua José Ramon Urtiza e ao tentar a abordagem, o motorista fugiu. Houve perseguição e o carro só parou depois de colidir duas vezes em um ônibus. Quando os policiais se aproximaram, o garoto teria reagido atirando e foi alvejado.
O caso está sendo investigado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa da capital. A corregedoria da Polícia Militar também abriu inquérito administrativo e acompanha as investigações.