08 de julho de 2026

Aumento sem trabalho


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Estabeleceu-se, no 1º de Maio, verdadeiro paradoxo. No Dia do Trabalho o governo anunciou aumento no valor do Bolsa Família, programa social criado para atender quem, por algum motivo, não trabalho. Fez-se em momento em que o pais amarga sua mais alta taxa de desemprego, fruto da desastrada política econômica dos governantes do PT e de partidos de sua base aliada. Potencializaram o consumo através do crédito fácil e da renúncia fiscal que ensejou atos de corrupção.

O trabalhador de verdade não teve o que comemorar no 1º de maio. Ao contrário. Desempregado ou temendo perder o emprego, vê o esfacelar do partido político e o migrar de seus aliados de costas viradas para o povo, alvos de graves acusações e irregularidades.

Outra medida pseudo-populista anunciada pela presidente, em 1º de maio, foi a correção da tabela de isenção do Imposto de Renda. É reivindicação geral, mas, se quisesse implantar de fato, não faria à véspera de seu afastamento. Conclui-se: não estivesse para cair, não faria.

É preciso vigilância redobrada sobre os últimos dias da presidente. Embora tenha autoridade para tanto, há que se questionar as ‘bondades’ que venha a assinar para que o sucessor cumpra. Poderão existir, entre atos de governo, bombas de difícil desarme. O mais decente e correto para com a nação seria Dilma apenas despachar o expediente, mas não há garantias de que ela pratique esse tipo de grandeza.

Acusar o vice de ‘golpe’ é expediente normal de qualquer governante prestes a cair, mas adotar medidas populistas de ultima hora para que estourem nas mãos do sucessor, é o cúmulo da desonestidade.

É preciso compreender que, depois do impeachment, independente do resultado, todos nós teremos um Brasil para reconstruir.

Quanto mais devastado o país estiver, mais difícil será a recuperação, e ainda maior o sofrimento do povo, especialmente dos que padecem com o desemprego.

Dirceu Cardoso Gonçalves
Tenente, diretor da Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo