A dificuldade para agendar consultas com especialistas na rede pública de Franca tem revoltado os pacientes que precisam de atendimento. Em algumas UBSs (Unidades Básicas de Saúde), consultas com ginecologistas estão sendo marcadas com até sete meses de espera. Em outras, os agendamentos foram simplesmente suspensos, por tempo indeterminado. Até mesmo no caso de clínico geral a espera tem sido, em média, de quatro meses. O motivo da demora, segundo os funcionários e pacientes, é a falta de profissionais.
Precisando de atendimento para não engravidar após enfrentar uma gestação de alto risco, a dona de casa Janaína Silva Bonfim Souto, de 36 anos, moradora do Residencial Júlio D’Elia, afirma ter precisado se alterar para conseguir, após mais de cinco meses, ser encaminhada para o Ambulatório-escola da Santa Casa.
“Chegava na UBS da Vila São Sebastião e só me informavam que não tinha vagas e pronto. Não importava o tanto que insistia, eles simplesmente não davam uma justificativa sobre o problema. Preciso de acompanhamento, depois de uma gravidez de risco. Não sei onde a saúde de Franca vai parar desse jeito. Só depois de muita briga e insistência foi que consegui um encaminhamento, mas não sei o que farei daqui para frente”, desabafou.
Mãe de uma criança que acabou de completar 1 ano, a coladeira Elaine Cristina Rocha, de 32 anos, até hoje não conseguiu realizar a revisão de parto, procedimento indicado pelo ginecologista depois que ela enfrentou problemas no momento em que o filho nasceu. Moradora do bairro Miramontes, ela é paciente da UBS do Horto e, no mês passado, mesmo após tentar por diversas vezes atendimento, foi informada que os agendamentos estão suspensos por tempo indeterminado.
De acordo com funcionários da UBS, que pediram para não serem identificados, as últimas consultas, agendadas no início de abril, foram marcadas para o final de novembro. A falta de profissionais e o grande número de gestantes na região que são atendidas na unidade teriam complicado ainda mais a situação.
“Não consigo pagar uma consulta particular, que hoje é mais de R$ 250. Preciso desse retorno, meu parto foi há mais de um ano e ainda não consegui. Toda essa situação é muitíssimo complicada. Se procuramos atendimento na rede pública, é porque realmente precisamos, mas é um descaso enorme”, disse Elaine.
Nas UBSs do Planalto, Paulista, Estação, Brasilândia e São Sebastião, o agendamento de consultas com ginecologistas estão suspensas por tempo indeterminado, com exceção de gestantes. Já na unidade do Ângela Rosa, segundo as atendentes, o agendamento é realizado somente para o mês de setembro.
Caso antigo
O problema para conseguir consultas, especialmente com ginecologistas, não é novo em Franca. Desde 2014, as reclamações das pacientes são frequentes. Em julho de 2015, o Comércio denunciou o problema em pelo menos três UBSs que marcavam as consultas para 2016.
Procurada por mais de 15 dias para comentar o assunto, a Secretaria Municipal de Saúde não retornou o contanto até o fechamento desta edição.