10 de julho de 2026

O dia em que um avião caiu em Franca


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Sou o Inácio Borges Sobrinho, nascido no dia 17 de janeiro do ano de 1926. Portanto, hoje já conto com os meus 90 anos de idade completos. Nasci na roça, mais especificamente na fazenda “Agudo”, distante 8 km de Garimpo das Canoas, hoje Claraval - MG, onde fui criado.

Estudei um pouco com alguns professores particulares que por lá passaram. Mas, ao completar 13 anos de idade, isto é, no ano de 1939 (ano em que estourou a Segunda Guerra Mundial), minha mãe me encaminhou aqui para Franca a fim de prosseguir os meus estudos. Fui morar com minha tia Dina, na Rua Major Claudiano - nº 154, quase na esquina com a Simão Caleiro. O meu conhecimento escolar era pouco, por isso fui matriculado no 3° ano primário no Grupo Escolar Coronel Francisco Martins, onde cursei também o 4° ano e consegui o meu diploma, já no fim do ano de 1940.

Em 1941 me matriculei na Escola Industrial Dr. Júlio Cardoso com o intuito de fazer o Curso de Torneiro Mecânico, que não cheguei a finalizar porque atingi os meus 15 anos de idade sempre com muita dificuldade financeira, motivo este que levou a pensar num trabalho que garantisse o meu sustento, porque minha formatura ainda demoraria quatro anos. Voltei para roça (fazenda Agudo) e com a cara e a coragem enfrentei o plantio de cereais, pois os meus pais também dispunham de pequenos recursos.

Até aí tudo bem!

Porém, até o presente momento ainda não relatei nada a respeito das coisas que me perturbavam a cabeça fazendo-me pensar e sonhar com um dia quando poderia me realizar, mas, de vez em quando, o vento levava tudo para os ares.

Na realidade eu era apaixonado por avião e música.

Ao lado do atual Correio havia uma loja com grande e variado estoque, de propriedade do Pimentinha. Ali trabalhava um balconista chamado Guido Betarello que na época deveria ter uns 20 anos de idade. Em uma grande vitrine desta loja ficavam expostos os instrumentos musicais. Sempre que eu passava por ali não resistia, entrava na loja para vê-los. Em uma destas minhas visitas veio o Guido, com toda a delicadeza que lhe era peculiar, e me perguntou: