No início do filme O Duplo, adaptação livre do diretor Richard Ayoade para o livro homônimo do escritor russo Fiódor Dostoiévski, assistimos a uma cena em um vagão de metrô com apenas dois passageiros. Um deles, segurando um jornal que lhe cobre rosto, ordena a outra pessoa a deixar assento: “você está ocupando meu lugar”, diz. A segunda pessoa é Simon James (Jesse Eisenberg, A Rede social, Batman vs Superman), funcionário em um escritório de ambiente claustrofóbico, sem janelas ou luz natural, ligada por um túnel à estação do metrô. É constrangedora a falta de reação de Simon ao ceder à exigência do desconhecido. Na mesma sequência, Simon observa uma garota no outro vagão, tenta alcançá-la, mas falha. Trata-se de Hannah (Mia Wasikowska, Alice no país das maravilhas), garota que Simon vive observando por uma luneta e almeja conquistar, mas não se encoraja em revelar sua admiração. Ao sair do trem, a maleta de Simon fica prensada na porta, ele puxa e fica só com a alça na mão. A essa altura, rimos do ridículo da cena, mas lastimamos tamanha inépcia do rapaz, momento que a empatia com o personagem está em jogo, e dependerá da identificação do espectador com o personagem. O que segue vai causando estranhamento e nos lançando no absurdo dos acontecimentos na noite interminável do filme, sem cenas à luz do dia.