Quando se fala em Impeachment sempre é lembrado o caso, e o livro, Todos os homens do presidente, de Bob Woodward e Carl Bernstein, que entre 1972 e 1974, a partir de uma simples notícia de invasão na sede nacional do Partido Democrata, no conjunto Residencial e Comercial Watergate, em Washington, causaram a queda do presidente reeleito Richard Nixon. A qualidade da investigação baseia-se numa cuidadosa seleção de fontes primárias, de eventos que não pareciam fazer parte do mundo da política, como um simples arrombamento de uma sala e a presença de um advogado nomeado sem que nenhum dos presos tivesse tido a oportunidade de exercer seu direito, o de chamar um defensor. O cuidado de análise de pequenos atos do cotidiano, quem atua onde, como e porque e se estes atos e atitudes estão de acordo com a sua posição civil ou política; e se suas justificativas estão dimensionadas dentro de seu entorno leva a descobertas fundamentais para a sociedade. Contudo devemos lembrar que os dois autores tomaram emprestado o título, ou se queiramos dizer, fizeram uma homenagem a um clássico da literatura de ficção norte-americana que é All the king’s men (Todos os homens do rei), lançado em 1946 por Robert Penn Warren e que ganhou o Prêmio Pulitzer de ficção em 1947. Robert Penn Warren (1905-1989) era crítico literário, jornalista e professor e revolucionou a literatura americana da época criando um personagem calcado num conhecido político populista, que no decorrer de sua atuação confunde fins e meios, justificando (ou tentando) que buscou criar o bem a partir do mal (participando de esquemas de corrupção e alianças nefastas) com o intuito de proporcionar justiça aos privados de direitos sociais e econômicos.