10 de julho de 2026

Aos 89 anos, dona Nega não perde um lance do Batatais


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 Fotos: Cristina Raymundini

A batataense Angelina Vicente de Oliveira Raymundini se assume apaixonada por tudo que se relaciona à cidade em que nasceu, cresceu e de onde não saiu até hoje, às vésperas de completar nove décadas de uma vida, como ela diz, “muito bem vivida”. Bairrista de carteirinha, dona Nega, como ela é conhecida, nas últimas semanas vem vibrando, em especial, com o amor pelo Batatais Futebol Clube.

O time que contava apenas seis anos de fundação quando ela nasceu (em 1926) está em boa fase na Série A-2 do Campeonato Paulista e vem mexendo com as emoções da torcedora veterana. E, com ela, não tem confusão no meio de campo no momento de explicar as razões de seu carinho pelo time: “oras, a gente é daqui, então tem que torcer para o que é daqui, para o que é nosso”.

Viúva há 12 anos de Avelino Raymundini, o seu Bilim, dona Nega não perdeu, após a morte do marido, os hábitos que tornaram o casal muito conhecido na cidade. Eles sempre foram presença certa nos bailes dos clubes, nos camarotes dos carnavais, nas primeiras mesas de quermesses e bingos e, claro, invariavelmente nas arquibancadas do estádio “Doutor Oswaldo Scatena”, independente do desempenho do time - é bom que se registre. “Ganhando ou perdendo, a vida inteira a gente estava lá. Sempre gostamos. O Bilim era roxo pelo Batatais. E, se não desse para ir, acompanhávamos pela Difusora, como faço hoje”, disse.

O rádio, outra de suas paixões, foi a solução para ela não perder nenhum lance do Fantasma, já que com o passar dos anos e uma redução da acuidade visual, é ouvindo as transmissões que ela vibra com o time.

O vídeo abaixo mostra a torcedora na expectativa enquanto o jogador se prepara para bater um pênalti em partida disputada dias atrás. “Coitado, ele (jogador) tá (sic) até tremendo de chutar a bola”, comenta, ela, às gargalhadas, traduzindo a sensação que ela captou através da narração do gol.

Feliz com o desempenho do time, dona Nega mostra satisfação quando fala que conseguiu passar o amor pela cidade e seus espetáculos para a família Raymundini. E olha que não é pouca gente: são seis filhos, 13 netos e três bisnetos. “Meus meninos sempre gostaram, podia ganhar ou perder, que estávamos todos lá.

”Neste sábado, 19, tem mais. O Batatais enfrenta, em casa, o time da Portuguesa pela 15ª rodada da competição. Resultados positivos o colocaram na sexta colocação - oito avançam à próxima fase.Dona Nega, claro, estará “no pé do rádio”, como ela diz, e deixa um recado para os jogadores do Fantasma. “Quero muito que eles joguem bem, que eles ganhem, continuem ganhando, para que o Batatais possa finalmente subir para a primeira divisão. Vai, Fantasma”, disse. Então, é melhor “ir” mesmo, é dona Nega quem está pedindo. Alguém ousa não querer atender?Assista abaixo o vídeo de dona Nega acompanhando a narração do jogo e, depois, dando um de seus recados para o time.