Olho a tela do televisor e minha alma se entristece. A menina de vestido vermelho chora ainda dentro do barco que chega apinhado à costa mediterrânea. Dele pulam jovens desnorteados, mulheres grávidas, mocinhas de olhos tristes, homens que carregam trouxas molhadas que não sabem onde colocar. Crianças pequenas sentam-se na areia e transformam em brinquedos o lixo que encontram: garrafas de plástico viram pássaros; recipientes de isopor, casinhas; um pé de sandália velha, carro; pedaço de papelão envolto em pano, boneca a ser acalentada. Qualquer objeto pontiagudo é lápis para desenhar cenários nos quais sonhar.