08 de julho de 2026

Os refugiados


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Olho a tela do televisor e minha alma se entristece. A menina de vestido vermelho chora ainda dentro do barco  que chega apinhado à costa mediterrânea. Dele pulam jovens desnorteados, mulheres grávidas, mocinhas de olhos tristes, homens que carregam trouxas molhadas que não sabem onde colocar.  Crianças pequenas sentam-se na areia e transformam em brinquedos o lixo que encontram: garrafas de plástico viram pássaros;  recipientes de isopor, casinhas; um pé de sandália velha, carro; pedaço de papelão envolto em pano, boneca a ser acalentada. Qualquer objeto pontiagudo é lápis para desenhar cenários nos quais sonhar.