10 de julho de 2026

Chuva inunda casas, derruba muro e deixa rastro de prejuízo em Franca


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Na rua Macapá, no Brasilândia, muro de casa despencou sobre calçada e rua; ninguém se feriu
Para 12 famílias da rua Marcos Teixeira Silva, no Jardim Palestina, o final da tarde dessa quarta-feira foi um pesadelo. Um temporal que durou cerca de 40 minutos foi o suficiente para inundar casas e carros. A altura da água chegou a quase 50 centímetros, invadiu os imóveis e deixou um rastro de prejuízos, sujeira e mau cheiro.
 
Essa não é a primeira vez que as famílias sofrem com enchentes. Só nos últimos 18 meses, já foram quatro. “Já fizemos abaixo-assinado, reclamações para a Prefeitura, para a Defesa Civil e nada. Isso é um absurdo”, disse André Júnior Mendes Caetano, morador na rua alagada. 
 
A casa em que André mora com a mulher e o filho foi uma das mais atingidas. “Comprei essa casa há um ano e meio, e esta é a quarta vez que ela alaga. Já perdi as contas do meu prejuízo. Já perdi cama, sofá, equipamentos eletrônicos... É muito triste você ver seu esforço indo embora sem poder fazer nada”, disse ele, com lágrimas nos olhos.
 
Caetano conta que já recebeu a visita do secretário municipal de Serviços e Meio Ambiente, Ismar Tavares, mas que a Prefeitura fez apenas serviços paliativos. “Ele mandou instalar mais um bueiro. Não adiantou nada, porque o problema é que o bairro todo foi erguido sem uma rede de água pluvial. O que é um bueiro para um bairro inteiro?”, questiona. 
 
Vizinho de André, o pespontador José Gomes, de 54 anos, vive o mesmo drama. Ele mora no Palestina há um ano e esta é a terceira vez que enfrenta a enchente. “Você não imagina o que é chegar cansado do trabalho e encontrar sua casa desse jeito, toda cheia de barro, cheirando mal”, disse.
 
A casa dele está com rachaduras por todos os cômodos e no chão. “Já chamei a Prefeitura para vir ver. Mas parece que eles nos abandonaram. Nada do que a gente fala tem valor.” Outros três imóveis na rua estão na mesma situação.
 
Na casa da frente, Gilvânia Alves mora com a mãe de 80 anos e seus filhos. Ela conta que se desesperou com a enchente. “Minha casa é mais alta que o nível da rua. Nunca tinha inundado aqui dentro. Hoje (ontem) tive que sair correndo para acudir minha mãe, que é cadeirante. Foi um pesadelo.”
 
Ela mora no bairro há 21 anos e disse que as enchentes pioraram muito com o “boom” imobiliário. “Antes, aqui em frente, não existiam essas casas. A água vinha, mas tinha para onde escoar. Agora com as construções, não tem vazão. Toda vez que chove mais forte, enche.”