Ele era assim. Imponente, bonito, de linhas harmônicas. Não sei se mereceria algum prêmio de arquitetura, mas enfeitava a praça onde se localiza e a população se orgulhava dele. Na praça, ao fundo, plantaram palmeiras imperiais que ainda existem, havia frondosa árvore na entrada, à direita. Havia bancos espalhados pela praça, sempre ocupados por muitos casais de namorados em diferentes épocas. Iluminavam-na pesados postes de ferro batido. Na década de 80, após intensa campanha feita por empresas interessadas no privilegiado espaço, o prédio foi destruído. Desapareceram histórias de pessoas, acontecimentos, usos e costumes de diferentes eras que tinham o Hotel Francano como palco, cenário e pano de fundo. Nós, francanos, nem percebemos porque as mutilações visuais e a destruição de nossas referências urbanas foram lentas, ainda que constantes. Perdemos, além do Hotel Francano, a sede da A.E.C. Centro; perdemos os casarões; perdemos o Coreto Municipal. Agora a feroz sanha imobiliária volta os olhos para o terreno situado na rua Santos Pereira, conhecido como Palmeirinha, que guarda histórias da cidade e cidadãos. Temo o dia, não muito distante, quando nossos filhos e netos cobrarão de nós a passividade coletiva diante de tais perdas.