Wilson ainda não me ensinou por completo o que é o amor. Em 1992, quando meus pulmões arderam intensamente, foi a primeira vez que recebi uma dose de seu antídoto que até hoje tem me livrado do veneno das coisas carnais, materiais e subversivas deste mundo. Desde então, meu avô me oferece um motivo a mais para amá-lo. E por isso que continuo com meu funil perfurado no coração, pois dia após dia, meu avô faz questão de abastecer meu peito, e insaciavelmente, no dia seguinte há mais espaço esperando por doses de seu afeto. Essa é minha maior alegria e também minha maior dor.