O vice-presidente Michel Temer negou nesta segunda-feira (21) que a Executiva Nacional do PMDB influenciará na escolha do nome do partido para a sucessão do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
Em mensagem nas redes sociais, Temer afirmou que sempre respeitou a independência das instituições e os debates internos da Casa Legislativa.
"Somente os deputados e os partidos ali representados têm legitimidade para escolher seus caminhos. Fui presidente por três vezes e conheço a Câmara dos Deputados e a respeito. Não compactuaria com ações desagregadoras", disse.
Segundo a Folha de S.Paulo apurou, na tentativa de evitar a influência da presidente Dilma Rousseff e da bancada do PMDB no Senado, o vice-presidente pretende que o processo seja centralizado na Executiva Nacional do partido.
O objetivo é blindar a bancada do partido, evitar tanto que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e o Palácio do Planalto emplaquem um sucessor no cargo e dar à cúpula nacional do partido o controle do processo.
O argumento de aliados e correligionários do vice-presidente é que a bancada do partido está rachada e que, assim como na disputa da liderança da legenda na Câmara, uma interferência da Executiva Nacional do PMDB evitaria que a crise interna se aprofundasse.
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, protocolou na última quarta-feira (16) no STF (Supremo Tribunal Federal) o pedido de afastamento de Cunha do cargo. Segundo Janot, o deputado transformou a Casa em um "balcão de negócios" e fez "utilização criminosa das prerrogativas parlamentares". O STF deve analisar o caso na volta do recesso, em fevereiro.
PERFIL
O perfil defendido pela cúpula do PMDB para a sucessão na Câmara é de um deputado que seja independente, sem ser ligado diretamente nem ao governo nem à oposição e que tenha atuação ponderada, sem ser radical.
Os nomes mais lembrados são os dos deputados federais Osmar Serraglio (PMDB-PR), que está em seu quinto mandato consecutivo, e José Fogaça (PMDB-RS), ex-prefeito de Porto Alegre.
Na base aliada, o Palácio do Planalto deu cartão verde para que Leonardo Picciani articule sua candidatura ao comando da Câmara. O próprio governo federal, no entanto, reconhece que, enfraquecido na bancada do partido e com o rótulo de governista, dificilmente ele conseguirá se viabilizar.
Com esse diagnóstico, o núcleo duro da presidente estuda alternativas dentro e fora do PMDB que possam viabilizar um consenso e que não provoquem resistência nos partidos de oposição.
Nesse esforço, o Planalto tem manifestado simpatia pelos deputados Sérgio Souza (PMDB-PR) e Paulo Magalhães (PSD-BA), ambos com perfil moderado. Correm por fora na disputa Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), Miro Teixeira (Rede-RJ) e Silvio Costa (PT do B-PE).