O autor João Emanuel Carneiro não gastou munição à toa ao revelar, na semana passada, a identidade do Pai da facção, em "A Regra do Jogo" (Globo). Após a morte de Djanira (Cássia Kis Magro), este foi o segundo ápice da história, que se encaminhará para a revelação de seu terceiro e derradeiro mistério: os motivos que levaram Zé Maria (Tony Ramos) a abraçar o universo conspiratório da facção e ser o principal executor dos crimes do grupo de criminosos da novela.
"O Zé Maria é um psicopata que se transformou em um profissional do crime. É um homem doente, desequilibrado. Para ele, as coisas que faz não são crimes. É apenas o cumprimento de alguma tarefa que o Gibson [José de Abreu] lhe ordenou. Ele é um fundamentalista, que acredita na obra desse Pai. E esse é o perigo de endeusar uma seita que não permite que seus membros raciocinem", explica Tony Ramos.
Capaz de cometer as piores atrocidades, Zé Maria se transforma em uma figura tranquila quando não há maldades a executar. Prova disso é o encantamento de Adisabeba (Susana Vieira) por ele, que fez a dona da Caverna da Macaca propor casamento ao vilão.
"Existe uma confusão de sentimentos dentro desse homem. Ele ama os filhos, mas não é capaz de amar mais ninguém. Ele tem um carinho muito grande por Adisabeba, é leal demais a ela, mas não queria assumir o casamento. Mas percebe que poderia perdê-la se recusasse e, com isso, perderia também seu esconderijo. Tudo ali é muito cômodo", analisa o ator. "Mas tudo o que eu disser pode mudar amanhã. Zé Maria é um homem escorregadio, e a gente não sabe o que se passa em sua mente."
A vilania de Zé Maria não tem limites. Tanto que um dos próximos casos a serem questionados é a morte de Djanira, atingida por uma bala no peito durante uma troca de tiros entre membros da facção e policiais, no casamento de Tóia (Vanessa Giácomo) e Juliano (Cauã Reymond).
"Quem levantará essa dúvida será Juliano. Muitas situações surgirão para questionar isso", diz Tony Ramos, sem dar detalhes.
MOTIVAÇÃO
O mistério a respeito de Zé Maria gira em torno de seu desvio de caráter, que o faz aparentar ser um homem bom, mas que esconde uma série de frustrações, responsáveis por suas motivações criminosas.
"O Zé Maria é esse tipo de cara que você vê na rua e acredita ser inofensivo. E os psicopatas são assim, parecem extremamente sociáveis, mas, na verdade, são capazes de cometer atos terríveis. E na cabeça dessas pessoas, as maldades que elas fazem não são maldades", explica Tony Ramos.
O convite para ser o grande vilão da novela surgiu em janeiro deste ano, e o autor João Emanuel Carneiro expôs a Ramos o perfil completo do personagem. "Tudo o que se refere à motivação de Zé Maria para o crime será apresentado nos dez últimos episódios. Não digo que a trama fará o público aceitar suas desculpas. Eu já sei de tudo e, obviamente, não contarei nada", finaliza o ator.