08 de julho de 2026

Mundo Perdido


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- Sabe de uma coisa, querida? Ah, nem vou lhe contar. Quem diria...

- Conta, conta, conta .

- Acho que não. Deixa pra lá.

- Por quê?

- Você não ia acreditar. Juro. Esquece.

- Só vou saber se acredito depois de me contar.

- Eu nem devia ter lhe adiantado nada.

- Por quê? Pois agora fiquei curiosa e zangada se não me contar.

- Não falei nada. Acabou.

- Por que essa indecisão?

- Não é bem indecisão...

- Então o que é? Fala logo. Me deixou morta de curiosidade.

- Muito bem. Vamos lá. Depois não vá dizer que é mentira minha.

- Conta de uma vez, bem. Meu Deus do céu! Fala logo.

- Pois muito bem. Vou lhe contar com todos os detalhes.

Contou, contou, contou. Os olhos dela abriam-se, abriam-se, abriam-se.

Ele suspirou:

- Pois foi isto.

Ela pôs a mão na boca, olhos esbugalhados:

- Não acredito! Juro que não acredito! Como pôde? Deus do céu!

Soltou uma gargalhada, balançou a cabeça:

- Logo ela? Mas logo ela... Este mundo está mesmo perdido.

- Está mesmo. Nisto concordo.

- Perdido. Perdido. Perdidíssimo.

- Claro. E não passa adiante, hem.

- Nem em confissão, bem.

Beijaram-se. Despediram-se.

Perto de casa viu uma amiga. Chamou-a:

- Vou te contar uma e você não vai acreditar.

- Conta. Conta. Conta.

- O mundo está mesmo perdido. E não passa para ninguém.

- Conta. Conta. Conta.

E o mundo perdido foi tomando conta da cidade em velocidade espantosa.