Maria José Cristina, de 32 anos, sofreu um acidente e teve que tomar uma decisão: ficar no carro com seus filhos ou assistir enquanto ele era arrastado com as crianças dentro. O carro em que a família estava sofreu uma pane ao atravessar uma linha férrea e foi atingida por um trem em Alfredo Vasconcelos, no Campo das Vertentes de Minas Gerais. O veículo foi arrastado por cerca de 170 metros.
Os dois filhos da mulher, de 2 e 4 anos, estavam no banco traseiro, presas à cadeirinhas de proteção. O mais novo sofreu fratura exposta em uma das pernas e teve alguns dentes quebrados. A mãe da motorista, de 76 anos, estava entre as cadeiras, sofreu ferimentos graves e segue internada. “Quando fui atravessar a via não ouvi nenhum sinal sonoro e tinha uns bambus e árvores que atrapalhavam a ver. Eu e meu marido olhamos e não vimos nada. Quando fui atravessar, o carro 'morreu'. Parecia que tinha algo segurando o veículo. Foi desesperador. Foi então que eu e meu marido resolvemos empurrar o carro. Mas como não conseguimos movê-lo, eu não ia ficar do lado de fora vendo meus filhos serem atropelados, por isso decidi ficar no carro com eles”, disse a mãe ao G1. O pai das crianças ficou de fora do veículo.
Ela ainda relatou ter tentado tirar a cadeirinha, sem sucesso. “Quando vi que não tinha mais jeito, entrei no carro, pois se acontecesse algo pior eu estaria com meus filhos. Depois disso eu não me lembro de mais nada. Bati a cabeça e só me recordo do resgate depois”, disse emocionada.
“É um recomeço para a minha família. O nome do meu filho é de anjo e tenho certeza que Deus nos livrou desse mal. Estou tentando não pensar nas coisas ruins. Só quero que ele fique bem para continuarmos com nossa vida”, finalizou.