O amor já não visita
minh ’alma há tempos.
Foi assim que ela transformou-se
numa velha mansão
repleta de porta-retratos antigos,
cobertos de poeira.
Bem ao centro
há uma sala ampla onde,
outrora, aconteciam bailes animados.
Ali, dependurado, está
meu grande coração.
Lustre inútil balouçando
entrelaçado por teias de aranha.
Caída do lado de fora
está a chave da casa.
Vez em quando o amor
passeia em derredor,
colhe flores no jardim descuidado
e degusta frutas no quintal.
Mas recusa-se a entrar.