O domingo acaba
numa noite quieta e banal,
cheia de lugares comuns
repleta de versos sem nexo.
O domingo acabano
deslizar frenético de um dedo
sobre as teclas do controle remoto.
Tentativa de dissimular a solidão.
Num lampejo de remorsodo
crente que faltou à missa,
acaba um domingo incompleto.
Vontade de explicar pra Deus
que há um motivo razoável.
Na recordação do amor
que ficou longe no tempo,
acaba um domingo carente.
Esperança de que ela também se lembre.
No ganido melancólico do cão
preso pela corrente no quintal
acaba um domingo normal.
Na poesia desenxabida do amador,
acaba um domingo mórbido.
Enquanto isso os ponteiros
se acasalam para parir
uma segunda feira casual.