Fios de silêncio tecem a teia da noite
Restos de risos boiam em esquecidas taças de champanha
Poetas recolhem derradeiras gotas de lua
Nos esquivos cálices do verbo
As horas adormecem
Chamados do Tempo se perdem entre vento e espuma
Pálpebras escondem pupilas obsoletas
A vigília atravessa o grande portal do arcano
E se perde no mistério dos indizíveis
O sono caminha sem ponteiros sobre trilhas movediças
Sonhos buscam imagens perdidas em mil retinas anímicas
A vida equilibra agora seu curso entre criptas e abismos.
Um só fio marca o caminho de saída deste mortal labirinto:
Rítmico, recebe, mede e escoa o tempo;
Paradoxal, canta possibilidades de retornos e de permanências.
“Por um momento, o universo, a vida
podem ser apenas este pequeno som
enigmático”.
Posso senti-lo no vulnerável pulso do corpo
E ouvi-lo na mudez poderosa da noite.