Nesta sexta-feira (14), Alexandre de Moraes, Secretário de Segurança Pública (SSP) do Estado de São Paulo confirmou que 18 pessoas morreram em ataques realizados na noite da última quinta-feira (13) nos municípios de Osasco e Barueri, na Grande São Paulo. Outras sete pessoas ficaram feridas. As informações são do G1.
“É a maior chacina deste ano”, anunciou o secretário ao anunciar 15 assassinatos em Osasco e 3 em Barueri. Algumas das vítimas possuíam antecedentes criminais e elas não tinham ligação entre si. A polícia investiga se há ligação entre os crimes e a morte de um PM e um guarda civil, ocorridas recentemente na região. “Não há uma hipótese principal de investigação, mas não é descartada a possível relação com dois outros latrocínios que ocorreram na sexta-feira passada e o outro em Barueri. Não descartamos nenhuma hipótese, e o envolvimento de policiais no caso deverá ser uma das teses possíveis levadas em consideração”, disse Moraes.
O prefeito de Osasco, Jorge Lapas, disse ao G1 que os ataques seriam realmente relacionados à morte dos policiais, e os matadores perguntavam se seus alvos tinham ficha criminal. “Alguns vídeos que temos visto mostram que eles entraram encapuzados, perguntaram se as pessoas tinham antecedentes e atiravam nas que tinham”.
Doze locais foram atacados ao todo. Neles foram encontrados cápsulas de revólver calibre 38, pistola 380 e 9mm, que é de uso privativo das Forças Armadas. As cápsulas passarão por perícia para determinar se os crimes foram cometidos pelo mesmo grupo. As execuções teriam seguido um único padrão: homens encapuzados desciam de carros e motos perto de bares, perguntavam se as pessoas possuíam antecedentes criminais e atiravam nelas. Pelo menos dois carros (um Peugeot prata e uma Sandero prata) e uma moto foram usadas na ação.
Os crimes começaram por volta das 20h30 de quinta-feira (13) no bairro Jd. Munhoz Junior, em Osasco, que fica próximo ao limite com Barueri. O alvo foi um bar, onde quatro pessoas foram executadas, e outras seis morreram pouco depois de serem socorridas. Mais seis ataques se seguiram, nas ruas Moacir Sales D'Ávila, Suzano, Vitantônio de Abril e Professora Sud Menucci e nas avenidas Eurico Cruz e Astor Palamin, todas em Osasco. Em Barueri, uma pessoa foi morta na Rua Carlos Lacerda, e outras duas na Rua Irene. “Esses dois indivíduos baleados estavam sentados tomando uma bebida quando pessoas saíram do carro e passaram a atirar contra eles”, relatou Flávio Sabino, sargento da PM.
“Chegaram dois carros com vários indivíduos, em frente ao bar. Não procuraram por ninguém. Chegaram aqui, bateram em todo mundo que eles viram e saíram correndo rapidamente, saíram rua abaixo e chegaram aqui embaixo, onde deram mais tiros em um pessoal que estava parado lá, também não acertou ninguém, mas foram embora”, relatou uma testemunha que não quis se identificar ao Bom Dia SP, jornal matutino da Globo.
As vítimas são homens entre 16 e 41 anos. Os familiares disseram que eles não tinham envolvimento com crime. Na manhã deste sábado, as duas cidades receberam reforço de 83 policiais militares e 43 viaturas, e a SSP informou que agentes das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), Força Tática e Comando de Operações Especias (COE) já patrulham a região. Não foram registrados outros assassinatos após a onde de execuções.
O governo do estado criou uma força-tarefa emergencial para investigar a autoria dos crimes. A equipe tem 50 policiais civis, 12 peritos e 8 médicos legistas, além das delegacias de Osasco e Barueri. Até o momento, ninguém foi preso.