11 de julho de 2026

Cosméticos perigosos são usados por mulheres negras para clarear a pele


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Mulheres da Costa do Marfim que estão fazendo uso do cosmético na intenção de ficarem mais claras

Uma proibição na Costa do Marfim alerta para o uso de produtos perigosos no clareamento da pele.

O país, assim como outros países africanos e asiáticos, sofre com a disseminação dos "tchatchos" ou "mulheres que brilham à noite". Os dois termos fazem referência as pessoas que usam os produtos corrosivos na tentativa de clarear a pele. Eles têm em sua composição mercúrio, esteroides, vitamina A e níveis de hidroquinona acima de 2%. O último deles, hidroquinona, é usado na revelação de filmes fotográficos e já foi banido na Europa devido a seu caráter carcinogênico.

No final de abril, a Costa do Marfim proibiu o uso desses produtos corrosivos, mas está com dificuldades em convencer a população a interromper o uso do material. "São os homens que pressionam as mulheres a se tornarem mais claras", conta Marie-Grace Amani. Ela utiliza os cosméticos há quatro anos. "Eu adoro pele clara. Não consigo parar", disse Fatou, de 26 anos, que tem o rosto cheio de manchas. O risco de ficar com manchas esbranquiçadas, acne ou desenvolver um câncer de pele não assusta Fatou.

Em Abidjan, maior cidade do país, as propagandas de produtos clareadores estão por toda a parte. O comércio também não se intimida, várias marcas diferentes ficam expostas nas lojas. "Sabemos que nossos produtos clareadores são perigosos", admite o executivo de uma das empresas que fabrica o clareador. "Pelo menos, sabemos a composição", justifica ele. Para o executivo, seria muito pior retirar o cosmético das prateleiras e deixar que a população tente fabricá-lo por conta própria.

A ministra Coffie diz que a primeira medida é conscientizar as pessoas a respeito do perigo de usar esses produtos. Posteriormente, o cosmético será retirado de circulação.