Os consumidores podem se preparar para um novo aumento na conta de energia elétrica. O déficit de R$ 20 bilhões das geradoras de energia somado aos gastos elevados neste ano podem implicar em novo reajuste extraordinário. De acordo com o jornal Extra, ainda não há previsão do valor do aumento e nem a partir de quando ele passará a valer.
O problema reside na diferença de preços na geração de energia hidrelétrica e termelétrica, mais cara, que é acionada quando há estiagem e baixo nível de água nos reservatórios, situação que vem se repetindo nos últimos anos. As geradoras se utilizam das termelétricas e em mercados de curto prazo para entregar às distribuidoras a quantidade de eletricidade prevista.
A Câmara de Comercialização informa que hoje há uma taxa de 47,28% de inadimplência no setor. Do total, 29,81% não estão sendo pagos porque as geradoras contestam o pagamento na justiça e conseguiram liminares. O valor equivale a R$ 891,9 milhões. “É muito ruim para o mercado essa quantidade de liminares. O governo deveria acelerar as negociações com o setor”, disse ao Extra Cristopher Vlavianos, presidente da Comerc Energia.
Já aconteceram reuniões entre Aneel e Ministério de Minas e Energia com representantes de empresas para tentar um acordo e não repassar o rombo ao bolso dos consumidores. “O governo, em 2013 e 2014, tinha duas situações: ou racionava ou gerava energia a qualquer custo. Decidiu entregar a qualquer custo. Hoje, pagamos uma das tarifas mais caras do mundo”, disse Luís Gameiro, diretor da Trade Energy. “Agora, esse impacto para os consumidores só viria lá na frente, no término da concessão dessas usinas, que serão em diferentes momentos.
Reinaldo Castro, professor do Departamento de Energia Elétrica do Centro Técnico Científico da PUC-Rio é mais pessimista em sua previsão. “Já houve um aumento extraordinário e com certeza vai haver outra. Não se sabe quando. Sutilmente, o governo, pelo nível dos reservatórios, deve baixar para bandeira amarela para, depois, dar mais um reajuste extraordinário. Mas não agora. Se ele faz um reajuste agora, é um tiro no coração. O governo não tem mais condições políticas e econômicas para fazer esse reajuste”, finaliza.