11 de julho de 2026

Vice-líder do governo na Câmara pedirá afastamento temporário de Cunha


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Eduardo Cunha

Carolina Gonçalves
Repórter da Agência Brasil

 

O vice-líder do governo na Câmara, Sílvio Costa (PSC-PE), disse hoje (17) que pedirá o afastamento temporário de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) do cargo de presidente da Câmara. Segundo ele, Cunha não tem condições morais de continuar no comando da Casa.

Costa explicou que, no caso, vai atuar como parlamentar e não como vice-líder do governo. O afastamento será enquanto durarem as investigações da Operação Lava Jato, em que Cunha teve o nome envolvido. “Do ponto de vista legal, Cunha tem a seu favor a presunção da inocência, mas do moral, perdeu as condições de ocupar a presidência.”

O peemedebista teria recebido US$ 5 milhões em propina para viabilizar um contrato de navios-sonda da Petrobras para a empresa Toyo Setal, segundo denúncia feita pelo empresário Júlio Camargo em depoimento ontem (16) ao juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, responsável pelas investigações da Operação Lava Jato.

Em uma avaliação preliminar à Agência Brasil sobre as declarações de Cunha, o líder do governo, Delcídio do Amaral (PT-MS), disse que a opinião do presidente da Câmara não pode ser confundida com a do PMDB. "Pelo o que eu senti é uma decisão pessoal que a gente precisa respeitar.Uma coisa é ele ter tomado uma decisão pessoal outra coisa é um posicionamento do PMDB, que é algo muito maior. O PMDB tem muitos líderes tanto na Câmara como no Senado e tem o vice-presidente da República [ Michel Temer], que é o grande líder do PMDB, além de ser o presidente do partido também", disse.

Posição dos partidos

Em nota, a presidência do PMDB informou que a manifestação de Cunha é "a expressão de uma posição pessoal" respeitada pelo partido e informou que qualquer decisão partidária só pode ser tomada "após consulta às instâncias decisórias do partido: Comissão Executiva Nacional, Conselho Político e Diretório Nacional".

A bancada do PSOL também divulgou nota em que defende o afastamento de Cunha. Para o partido, as denúncias contra Cunha e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) não configuram "ataque ao Congresso Nacional". "Cada parlamentar e seu partido têm que responder pelas acusações que eventualmente sofram. Eduardo Cunha não tem direito de confundir suas posições e ódios com a função que ocupa institucionalmente de presidente da Câmara dos Deputados. A confusão deliberada que Cunha produz, à guisa de defesa, evidencia sua incompatibilidade entre a função de presidente da Casa, que exige equilíbrio e postura de magistrado, e a condição de investigado na Operação Lava Jato".

O Solidariedade reafirmou, em nota, apoio ao presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha. "O Solidariedade foi um dos principais fiadores da sua candidatura à presidência da Câmara e afirma que nestes cinco meses ele comandou a Casa de maneira absolutamente democrática e transparente. E não será uma denúncia sem qualquer tipo de prova que irá abalar a nossa confiança em seu trabalho. Nada mais correto do que se afastar de um governo trapalhão, incompetente e que apaga fogo com gasolina", diz a nota, assinada pelo presidente do partido e deputado federal, Paulo Pereira da Silva, Paulinho da Força.

Edição: Talita Cavalcante