11 de julho de 2026

Enfermeira relata que falsa médica fugia de atendimentos


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Médica usava nome e registro falso. Foto: Reprodução/ TV Tem

A revelação de que uma falsa médica que atendia no pronto-atendimento do município de Alumínio, interior de São Paulo, usava o nome e o registro de outra profissional chocou colegas que trabalharam com ela. Além de Alumínio, a mulher fazia plantões nos setores de urgência e emergência de unidades de saúde em Mairinque e São Roque, e se apresentava como Cibele Lemos.

Franciele Domingues, enfermeira que trabalhou com a falsa médica, conversou com o G1. “Foi uma bomba para todo mundo quando soubemos. Aí a gente começa a relembrar as ações dela: ‘Foi por isso que naquela situação ela teve aquela conduta. Também teve aquela consulta em que ela não se manifestou e fugiu da responsabilidade”.

A fraude foi descoberta quando a mulher abandonou o plantão no último sábado, 11, sem comunicar a equipe. Ao fazer uma denúncia ao Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), o diretor de Saúde de Alumínio, Paulo Pimenta, descobriu que o número do registro profissional disponível no site estava correto, mas a foto era de outra pessoa. “Verificamos que a foto do Cremesp não era a mesma da pessoa que estava lá, foi quando levantamos a suspeita. Nós acionamos a empresa [que contratou a suspeita] para averiguar o que estava acontecendo e para levantar se a profissional que consta no Conselho é a mesma pessoa que estava dentro do pronto-atendimento”, disse.

Prontuários de pacientes atendidos pela mulher foram analisados, mas não foi encontrado nenhuma divergência ou problema. “Nos plantões que ela deu, não houve grandes emergências, apenas atendimentos de baixa complexidade. Foram consultas de rotina, tanto de adultos quanto de idosos, algumas de pediatria, mas nada fora do padrão”, afirmou Rafael Lelis de Andrade, diretor de pronto-atendimento de Alumínio.

Apesar disso, a constatação não serviu para tranquilizar a população, que está assustada. “Isso é muito sério. Eu trago minha mãe, de quase 82 anos, e quero ter certeza absoluta de que são profissionais, formados, experientes, conscientes, que estão prontos para cuidar da vida, e não para colocar a vida do ser humano em risco”, disse a professora Rose Campos.

A empresa terceirizada responsável pela contratação da falsa médica vai rever seus procedimentos de contratação. “Nós vamos levantar a relação de documentos e pedir indicação dos profissionais que vierem. Vamos precisar de referências para que eles possam atuar”, assegurou o advogado Marcio Ferrari.

A falsa médica disse que buscaria documentos em casa e fugiu, ainda não tendo sido localizada. A polícia teria sido chamada para a mulher, mas teria se recusado a comparecer na unidade por se tratar de um caso administrativo.