Uma decisão liminar foi concedida na noite da última quinta-feira (25) pelo juiz William Fabian, da 3ª Vara de Família de Goiânia, para que sejam retiradas das páginas do Google e Facebook todas as imagens que mostrem o corpo do cantor Cristiano Araújo, morto em um acidente de carro na última quarta-feira (24). As empresas devem cumprir a determinação assim que forem notificadas e a multa no caso de descumprimento é de R$ 10 mil por dia.
“O que fizeram foi um desrespeito muito grande, é extremamente revoltante. Por isso, se as companhias não retirarem essas fotos e vídeos do ar, os responsáveis legais por cada uma poderão até ser presos, pois a manutenção e divulgação configura o crime de vilipendiar cadáver [desrespeito ao corpo]”, disse o juiz ao G1. A ação que pede a retirada das fotos foi movida pela CA Produções Artísticas, escritório que representava o sertanejo. A liminar ressalta que todas as providências cabíveis seja tomadas para “cessar, imediatamente, a disseminação das imagens degradantes na rede mundial de computadores.”
Amelina Moraes do Prado, uma das advogadas do escritório, disse que a ação foi proposta com o intuito de preservar a imagem de Cristiano e a de sua namorada, que morreu no mesmo acidente. “Não respondemos legalmente por ela, mas, quando pedimos que todas as fotos do corpo do Cristiano antes do enterro, assim como as tiradas ainda no local do acidente, sejam bloqueadas, o objetivo também foi o de preservar a imagem da Allana, indiretamente”, disse. Ela também afirmou que qualquer pessoa identificada divulgando as imagens será processada. “Se houver essa identificação de alguém que segue divulgando, fazendo comentários jocosos, vamos tomar as medidas legais cabíveis para que responda pelo ato. Os familiares e a equipe do Cristiano ficaram consternados com essas imagens”.
Os dois funcionários da clínica em que o corpo do cantor foi preparado e que registraram as imagens são os técnicos em tanatopraxia Marco Antônio Ramos, 41 anos, e Márcia Valéria dos Santos, de 38. Ambos foram demitidos e a polícia vai ouvir um colega de Márcia no curso de enfermagem, que seria o responsável por divulgar as imagens. “A Márcia disse que o Marco só percebeu que ela estava gravando quando já estava no meio da filmagem, mas não a impediu. Depois, ela mandou esse vídeo para o colega, que estuda com ela, e foi ele quem postou nas redes sociais. Nos depoimentos, tanto o Marco quanto a Márcia assumiram que sabiam do regimento interno da clínica que impede o registro de imagens dos cadáveres. Ela afirmou que já trabalhava no local há quatro anos e que o ato foi impensado. Por isso, a clínica não deve ser responsabilizada. A não ser que os familiares entrem com ação na Justiça", disse Eli José de Oliveira, delegado responsável pelo caso.