A Secretaria de Segurança Pública (SSP) de São Paulo confirmou na manhã da última terça-feira (9) que foi realizado o afastamento de um policial militar suspeito de agredir duas pessoas na cidade de Barretos no último final de semana. Também foram instaurados inquéritos sobre o episódio.
O caso aconteceu na manhã do último sábado (6) e a movimentação foi registrada pelas câmeras do bar e divulgada pela reportagem da EPTV. As imagens mostram o policial militar agredindo duas pessoas – ele primeiro e empurra um frequentador e depois de imobilizar o rapaz no chão se dirige a outro homem, que seria o dono do bar, lhe disfere muitos socos e quebra uma cadeira de plástico em sua cabeça, algemando-o e o levando-o para uma viatura na sequência.
Segundo o dono do estabelecimento, Edmar Garcia Marques, a confusão aconteceu porque um outro policial militar, que mora a 50 metros do bar e não está diretamente envolvido nas agressões, reclamou do volume da música no estabelecimento e o acusou de jogar uma bomba em sua casa. O PM passou a abordá-lo com frequência e no sábado foi sem farda ao bar para ofendê-lo, acompanhado do policial suspeito de agressão, o segundo tenente Marcos Rogério Okada Vieiros, este fardado.
Depois, quatro viaturas e doze policiais surgiram para prestar reforço. Toda a confusão seria causada pela implicância de seu vizinho.O primeiro homem agredido e imobilizado pelo policial disse não saber o que motivou as agressões, e que não fez nada que causasse comportamento tão violento por parte do tenente.
Em um determinado momento o policial percebe que estava espancando o homem errado, e, descontrolado, parte para cima do dono do bar, que também afirma não ter feito ou dito nada desrespeitoso aos policiais presentes. O tenente ainda lançou bombas de efeito moral contra um pequeno grupo de moradores que se aglomeraram em frente ao comércio.Marques afirmou ter sido impedido de se defender ou reagir às agressões sob ameaça de levar um tiro dos outros policiais no local.
Depois de ser detido e levado para a viatura, ele passou cerca de 20 minutos em frente à casa de um policial, período em que sofreu diversas ameaças, para depois ser encaminhado para receber atendimento médico. Mesmo depois do episódio, ele alegou ainda sofrer com a intimidação dos PMs. “Estamos aguardando, só que enquanto isso esses mesmos policiais que me agrediram passam de dez em dez minutos na porta do meu estabelecimento aqui, querendo me intimidar," ele contou ao G1.
A SSP disse em nota que o comandante do 33º Batalhão de Policiamento Metropolitano do Interior determinou a instauração de um inquérito policial militar para apuração do caso, bem como o afastamento do PM do policiamento ostensivo. “O policial cumprirá serviços administrativos até o final das investigações,” informa o comunicado. O delegado do 3º Distrito Policial de Barretos, Celso Spardácio, disse que também instaurará um inquérito sobre o caso, que vai apurar se houve desacato à autoridade, ameaça e abuso de autoridade.