Foi arquivado o inquérito aberto em 2013, contra o deputado federal Jair Bolsonaro, que teria dado declarações supostamente racistas contra a cantora Preta Gil, em entrevista concedida ao programa CQC, em 2011. A decisão foi do ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, e segue o parecer da Procuradoria Geral da República.
Na ocasião o político disse que não discutiria “promiscuidade” quando foi questionado pela cantora sobre qual seria sua reação caso um de seus filhos se envolvesse com uma mulher negra. A pergunta foi feita no quadro O povo quer saber. “Se seu filho se apaixonasse por uma negra, o que você faria?”, perguntou a filha de Gilberto Gil. “Preta, não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Eu não corro esse risco, e meus filhos foram muito bem educados e não viveram em um ambiente como, lamentavelmente, é o teu”, foi a resposta do político.
O procurador-geral da república Rodrigo Janot considerou que a emissora disponibilizou apenas a versão editada da gravação, e não sua íntegra, não sendo possível identificar se a resposta se relacionava de fato à pergunta. “Com efeito, e não se pode negar, o termo utilizado ‘promiscuidade’ não tem a ver com qualquer expressão que remeta à etnia ou raça, mas sim atinente a questões sexuais, sobre que também é notório o posicionamento do parlamentar,” considerou o procurador. Ele também considerou que Bolsonaro foi entrevistado no programa na condição de deputado federal e assim desfrutava de imunidade parlamentar, que o protege penal e civilmente por suas opiniões.
Na época, Preta Gil chegou a dizer que processaria Bolsonaro. “Advogado acionado, sou uma mulher negra, forte e irei até o fim contra esse deputado, racista, homofóbico, nojento,” escreveu Preta em sua conta no Twitter.