10 de julho de 2026

Ativistas denunciam 'treinamento sexual' de meninas de 8 anos


| Tempo de leitura: 1 min
Imagem de arquivo meramente ilustrativa

Na última quinta-feira (21), durante conferência organizada pela Girls not Brides para combater o casamento infantil, foi feita uma denúncia sobre exploração de crianças em países africanos. Segundo a instituição, meninas de 8 anos de idade residentes no Moçambique e na Zâmbia são enviadas a campos de treinamento onde são ensinadas a satisfazer um homem na cama, em uma preparação para o casamento.

O treinamento dura uma semana. Nas “aulas”, as meninas que não reproduzirem movimentos sexuais da maneira correta são agredidas por mulheres mais velhas. Elas também são instruídas sobre higiene, tarefas domésticas e como devem se comportar em suas comunidades. Os pais que não levarem suas filhas às atividades de iniciação podem ser multados.

Persilia Muianga, da agência internacional World Wisdom, disse que a iniciação sexual das crianças é feita após a primeira menstruação. Não é raro que elas sejam violentadas com objetos e algumas são forçadas a manter relações sexuais por suas próprias mães, que acreditam que a prática force a menstruação.

Para o embaixador da Boa Vontade da União Africana Nyaradzayi Gumbonzvanda, o casamento de crianças deve ser visto como uma forma moderna de escravidão. “[Com o casamento infantil] estamos sancionando o estupro, o rapto, uma forma moderna de escravidão, o tráfico, e o trabalho forçado”.  Ele ainda afirma que a prática freia o desenvolvimento dos países. “Manter as meninas na escola e impedir os casamentos infantis é crucial para o desenvolvimento da África”.

Cerca de 15 milhões de crianças e adolescentes são forçadas a se casar todos os anos – a legislação dos países proíbe o casamento infantil, mas quase metade das meninas moçambicanas e 40% na Zâmbia se casam antes dos 18 anos. Hoje existem 700 milhões de mulheres que se casaram quando ainda eram crianças - número representa 10% da população mundial atual.