09 de julho de 2026

TRT marca julgamento da greve dos servidores para a próxima 4ª


| Tempo de leitura: 3 min
Servidores rezaram durante assembleia na Câmara Municipal, ontem, para discutir o movimento

O imbróglio envolvendo servidores e a Prefeitura deve chegar ao fim na próxima semana. O Tribunal Regional do Trabalho divulgou ontem a data do julgamento do caso. A audiência será em Campinas no dia 13 de maio, quarta-feira, às 13h30. O dissídio de greve só vai a julgamento em situações extremas, quando as partes não chegam a um acordo. Este é o caso dos servidores de Franca, que viram o município negar diversas vezes, até mesmo na Justiça, uma possível conciliação.

De acordo com o advogado do Sindicato dos Servidores Municipais, Denílson Carvalho, o julgamento definirá se a greve é ilegal. A partir disso, serão dados os veredictos sobre o reajuste pedido e abatimento nos salários dos grevistas. “Dependendo do parecer, a administração pode ter de repor os descontos feitos. Estamos otimistas e à espera do resultado”, afirmou.

Denílson se refere aos descontos na folha salarial dos grevistas. Na última quarta, eles tiveram o holerite liberado. Muitos receberam a folha de pagamento com valores mínimos, entre R$ 2 e R$ 5. Ainda assim, permaneceram em greve. Como de praxe, protestaram contra a intransigência do prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) na porta do Paço Municipal.

Ontem, cerca de 300 servidores participaram de uma assembleia, na Câmara, para discutirem o movimento. Orações, depoimentos emocionados, gritos de incentivo e uma votação para decidir se a greve continuaria fizeram parte da reunião. Por unanimidade, os servidores optaram por permanecer parados e com a expectativa de obter um parecer favorável à causa. “A greve continua. Chegamos muito longe para pararmos agora”, ressaltou o presidente do sindicato, Fernando Nascimento.

A expectativa do sindicato é que o caso seja resolvido já na quarta-feira e os servidores retornem ao trabalho no dia seguinte.

Trajetória
Sábado, 28 de março, Teatro “Judas Iscariotes”. Cerca de 600 servidores decidiram cruzar os braços em protesto à forma utilizada pelo prefeito Alexandre Ferreira na condução das negociações salariais neste ano. O projeto aprovado pela Câmara em regime de urgência, que fixou a correção sem diálogo, revoltou os trabalhadores. Eles reivindicavam um aumento no salário, no abono escolar e no vale-alimentação. Quarenta dias depois, governo e sindicato não chegaram a um acordo e a interferência da Justiça se fez necessária.

Diante da intransigência de Alexandre, eles se concentraram diariamente em frente à Prefeitura e participaram de sessões da Câmara. Entrega de pizzas, simulação de feira livre, velório de vereadores, música e ginástica foram parte do repertório dos servidores ao longo dos protestos.

Após os descontos em seus salários, eles iniciaram campanhas para ajudar uns aos outros. O sindicato da categoria, empresas e a própria população têm contribuído com a campanha para angariar fundos. Produtos, alimentos e rifas foram as alternativas encontradas para ajudar. Na última quinta-feira, o Sindicato dos Frentistas de Franca e Região se mobilizou e doou diversos alimentos comprados com um fundo da própria entidade, no valor de R$ 1 mil. Pacotes de arroz, feijão e açúcar e litros de óleo foram levados para os servidores. Hoje, acontece um bazar de quitutes e venda de pizza na sede do sindicato, na rua Santos Pereira, 311, Cidade Nova.